O tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Bope, apresentou nesta semana uma versão diferente da relatada pelo governador Cláudio Castro (PL) sobre os confrontos ocorridos em 28 de outubro na Serra da Misericórdia, na região da Vacaria, durante a Megaoperação Contenção contra traficantes do Comando Vermelho (CV). Corbage também detalhou a tática conhecida como “Muro do Bope”, divergindo das explicações oficiais anteriores.
No dia da operação, Castro afirmou que os confrontos ocorreram em áreas de mata, planejados para “encurralar” os criminosos e minimizar riscos à população. Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Corbage explicou que os enfrentamentos surgiram devido a uma estratégia inesperada dos traficantes, que modificou o planejamento original.
O comandante relatou que imagens de drones mostraram criminosos fortemente armados deslocando-se pela mata, utilizando camuflagens que lembravam “homens-planta”. A ausência de resistência inicial levou policiais civis a avançarem inadvertidamente, caindo em uma armadilha que transformou a operação de cumprimento de mandados em ação de resgate, após ferimentos de agentes civis.
Corbage destacou que os dois policiais do Bope mortos estavam no resgate dos civis feridos e que toda a dinâmica planejada entre as forças precisou ser adaptada rapidamente. Seu depoimento faz parte das informações enviadas pelo MPRJ ao Supremo Tribunal Federal (STF), com prazo de entrega até 17 de novembro.
O “Muro do Bope”
No dia seguinte à operação, o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes, explicou que a tática consistia em posicionar equipes no topo da montanha para impedir o deslocamento dos criminosos. Corbage, entretanto, esclareceu que o Bope inicialmente não tinha como objetivo atuar na Vacaria, mas manter um perímetro de segurança na mata. A intervenção só ocorreu em caráter emergencial para resgatar policiais civis sob ataque.
Ele negou que houvesse planejamento de emboscada conhecida como “tróia”, afirmando que os criminosos já estavam fortificados em bunkers. O foco da operação foi fracionar a facção e impedir deslocamentos entre áreas, gerando a linha de contenção chamada “Muro do Bope”.
O delegado André Luiz de Souza Neves, da Polícia Civil, afirmou que a entrada na mata ocorreu de forma instintiva, enquanto o comandante da Core, delegado Fabrício Oliveira, reforçou que qualquer emboscada partiu dos traficantes, resultando em ferimentos e na morte de dois policiais com tiros na cabeça.
Os relatos revelam a complexidade da operação, marcada por mudanças de última hora e por táticas imprevisíveis dos criminosos, configurando um dos confrontos mais violentos envolvendo as forças de segurança do Rio de Janeiro nos últimos anos.
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