Durante interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a se defender no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Em sua fala, ele buscou justificar a desconfiança em relação às urnas eletrônicas, afirmando que essa crítica não é exclusiva de seu mandato e citou exemplos de outros políticos.
Como principal argumento, Bolsonaro mencionou declarações do atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, então candidato ao governo do Maranhão em 2010. Segundo o ex-presidente, Dino teria levantado suspeitas sobre o sistema eleitoral na ocasião de sua derrota.
“O senhor Flávio Dino, em 2010, quando perdeu a eleição para o governo do Maranhão, disse: ‘Hoje eu tive a oportunidade de ser vítima de um processo que precisa ser aprimorado, ser melhor auditado, que é o sistema das urnas eletrônicas'”, declarou Bolsonaro. Ele ainda completou, atribuindo a Dino a frase: “‘O senhor acredita que houve fraude? Houve várias modalidades’.”
O ex-presidente também citou um vídeo do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, atual presidente do PDT e autor de uma das ações que levaram à sua inelegibilidade. Segundo Bolsonaro, Lupi também demonstrou desconfiança do sistema:
“Ele não falava em fraude, mas numa dessas inserções, que até hoje está no Facebook dele, ele fala: ‘Sem a impressão do voto, não há possibilidade de recontagem. Sem recontagem, há fraude interna'”, disse.
Apesar das falas, Bolsonaro não apresentou provas concretas de fraude nas eleições, tampouco detalhou medidas que poderiam comprovar as alegações.
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No início do depoimento, Bolsonaro afirmou que sempre atuou dentro das “quatro linhas da Constituição”, embora tenha reconhecido que nem sempre manteve o decoro exigido pelo cargo presidencial:
“Joguei nas quatro linhas da Constituição o tempo todo. Muitas vezes me exaltava. Falava palavrão. Mas fui honesto”, afirmou.
O ex-presidente também alegou que é alvo de rejeição por parte da mídia, segundo ele, devido à defesa de “pautas de costumes”.
O depoimento faz parte de uma série de oitivas conduzidas pelo STF no inquérito sobre a tentativa de anular o resultado das eleições de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ainda deve ouvir outros envolvidos até o fim da semana. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Bolsonaro de integrar uma organização criminosa voltada à ruptura democrática.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da TV Justiça. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











