O caso Carla Zambelli tem potencial de prejudicar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo avalia o comando da campanha. Por isso, o presidente estaria buscando se manter distante do caso, segundo destaca reportagem do Pragmatismo Político.
Na tarde deste sábado (29), imagens da deputada bolsonarista, armada com uma pistola e perseguindo o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, viralizaram nas redes sociais.
Em uma transmissão ao vivo em sua página, Zambelli justificou que foi ’empurrada’ pelo homem e ‘caiu’ no chão. No entanto, imagens divulgadas instantes depois mostram que a parlamentar não foi empurrada. Caiu ao tropeçar.
Para um assessor do Palácio mencionado pelo Pragmatismo, a deputada poderia ter sido provocada, xingada, mas que jamais deveria ter sacado a arma. Deveria ter chamado a polícia. Membros da campanha dizem que ainda estão mensurando “os estragos” com o episódio.
A avaliação é que Bolsonaro não perderá votos dos eleitores mais convertidos e de direita, mas a campanha admite que a “imagem forte e impactante” de Zambelli com a arma em punho contra um negro tem potencial de prejudicar a campanha.
O maior receio, dizem, é afastar o eleitor indeciso ou que no primeiro turno votou em Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB) e que poderia migrar para Bolsonaro.
Armas e tiros no caminho
É o terceiro episódio com armas envolvendo bolsonaristas em uma semana. Primeiro foi o ataque do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) com fuzil e granadas à Polícia Federal. Dias depois, foi o episódio com o candidato ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), na favela Paraisópolis, em São Paulo, quando sua equipe deu ordens para uma câmera apagar imagens de um tiroteio.
Zambelli é uma das parlamentares mais identificadas com a pauta armamentista. Além de autora de projetos facilitando o porte, é apoiadora do Pró-Armas, principal lobby do setor no país.
O episódio com a deputada em São Paulo é repleto de controvérsias. Em um dos vídeos ela aparece correndo atrás de um homem negro após uma discussão política em São Paulo, na tarde deste sábado.
O caso reacendeu uma outra narrativa, que faz referências ao período em que a parlamentar morou na Espanha. Aliás, a frase “Te amo, espanhola”, teria sido o detonador da fúria de Zambelli ao empunhar uma arma contra o homem. “Te amo, espanhola”, teria dito o homem, em provocação à deputada.
Origem da frase
A fala faz referência a uma briga entre Zambelli e o senador Omar Aziz (PSD), que dedicou a música de Flávio Venturini para a deputada após ser xingado por ela. A briga entre Aziz e Zambelli aconteceu durante a CPI da Covid-19 no Senado em junho do ano passado.
Omar Aziz disse que Zambelli bajula o presidente Jair Bolsonaro (PL) por causa do “carguinho” de seu marido, Antônio Aginaldo de Oliveira, então comandante da Força Nacional. Bunda gorda e inútil. Em resposta ao senador, Carla Zambelli publicou um vídeo nas redes sociais xingando Omar Aziz.
Após o xingamento de Zambelli, Aziz também usou as redes sociais para responder com provocação à deputada: “acabei de ser ofendido por uma deputada. Como sou diferente do chefe dela e não ofendo ou agrido mulheres, vou apenas oferecer uma música”. A postagem foi acompanhada de um vídeo com o trecho da música “Espanhola”, de Flávio Venturini.
As referências sobre a experiência de Zambelli na Espanha passaram a circular quando a então deputada Joice Hasselmann afirmou na CPMI das Fake News que o presidente Bolsonaro perguntou a ela se Carla Zambelli teria trabalhado como prostituta na Espanha.
“Quem me perguntou na sala do presidente depois de eleito se você tinha sido prostituta na Espanha foi o presidente”, disse Hasselmann. O fundo do baú voltou a ser revirado, portanto, depois que Zambelli aparece apontando uma arma para um homem negro na esquina da rua Joaquim Eugênio de Lima com a alameda Lorena, em São Paulo.
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