A contagem de votos das eleições presidenciais no Peru continua indefinida cinco dias após o pleito, evidenciando o cenário de instabilidade política que tem marcado o país, que registrou nove presidentes ao longo da última década.
A candidata de direita Keiko Fujimori já garantiu vaga no segundo turno ao alcançar cerca de 17% dos votos válidos.
No entanto, a definição do segundo nome que seguirá na disputa permanece incerta.
A concorrência está concentrada entre Roberto Sánchez Palomino, que aparece com aproximadamente 12% dos votos, e Rafael López Aliaga, com cerca de 11,9%.
A diferença entre os dois é de poucos milhares de votos, mesmo com mais de 90% das urnas já contabilizadas.
O segundo turno está previsto para o dia 7 de junho e deve ter impacto relevante no posicionamento internacional do país, especialmente em um contexto de disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputa sua quarta eleição presidencial. Apesar de liderar o primeiro turno, ela enfrenta resistência de parte do eleitorado em função do legado político do pai e de derrotas anteriores.
Já Sánchez é associado a setores populares e rurais e tem ligação política com o ex-presidente Pedro Castillo. Sua candidatura defende maior atuação do Estado na economia e possíveis mudanças institucionais.
Por outro lado, López Aliaga adota um discurso conservador nos costumes e liberal na economia, sendo frequentemente comparado a lideranças internacionais com perfil semelhante.
A apuração também foi marcada por questionamentos. Após perder posições ao longo da contagem, López Aliaga levantou suspeitas de fraude, sem apresentar provas.
Missões internacionais de observação, como a da União Europeia, informaram não ter identificado irregularidades relevantes no processo eleitoral.
Analistas avaliam que, independentemente de quem avance ao segundo turno, o próximo presidente deverá enfrentar desafios significativos para governar, diante da fragmentação política e do peso do Congresso no sistema peruano.
O processo eleitoral ocorre em meio a uma crise institucional recente, que incluiu a destituição e prisão de Pedro Castillo após tentativa de dissolução do Parlamento, além de sucessivas mudanças de governo que ampliaram a instabilidade no país.
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