Após o acalorado bate-boca com parlamentares de oposição na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar publicamente a postura de deputados que deixaram a audiência da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) antes de ouvi-lo responder às perguntas feitas.
“Porque faz uma pergunta e sai sem ouvir a resposta? Sei que eles têm os compromissos deles”, disse Haddad a jornalistas ao deixar a comissão. A crítica foi direcionada principalmente a Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ), que fizeram perguntas em bloco, mas deixaram a sala logo após suas falas, sem esperar as respostas do ministro.
Durante a sessão, Haddad classificou o comportamento como um “pouco de molecagem” e sugeriu que os parlamentares “aprendessem um pouco mais sobre contas públicas”. A fala causou forte reação.
Carlos Jordy retornou ao colegiado e retrucou: “moleque é você”. Já Nikolas Ferreira, também de volta à sala, afirmou que vai trabalhar para que o ministro seja convocado formalmente para uma nova audiência. “Ele disse diversas mentiras que eu iria rebater. Agora vamos agir para que ele seja convocado. E espero que, desta vez, não fuja do debate como fez hoje”, declarou o deputado.
Ao final da sessão, Haddad reafirmou sua disposição para dialogar com o Parlamento e lamentou a postura de alguns deputados. “A pessoa faz a pergunta, limita uma porção de números errados sobre a economia e simplesmente sai. Sai da sala antes de ouvir a resposta. Qual é o objetivo de uma reunião como essa? É esclarecer a opinião pública do que está acontecendo”, declarou.
O ministro também relembrou o recente episódio envolvendo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que foi alvo de ataques verbais durante uma audiência no Senado. “Toda vez que um deputado, pensando nas suas redes sociais, desrespeita o ministro — como já aconteceu com a Marina, hoje comigo — fala o que quer e vai embora. Antes da resposta”, disse Haddad.
Para o titular da Fazenda, esse tipo de conduta compromete o debate democrático e transforma sessões institucionais em palcos para autopromoção. “Falam o que querem e simplesmente vão embora. E se eu fizesse o oposto e fosse embora sem responder?”, questionou.
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