Com o faro político de quem já conquistou o governo fluminense duas vezes, Anthony Garotinho (Republicanos) começa a desenhar sua estratégia para a sucessão estadual em 2026.
Enquanto o filho Wladimir, prefeito de Campos, enfrenta uma crise financeira de R$ 1,5 bilhão e demissões em massa, o ex-governador busca se distanciar das “águas turvas” locais, apostando no marketing de projetos icônicos de suas gestões e da ex-esposa Rosinha Garotinho, como o Restaurante Popular, a Delegacia Legal, Piscinão de Ramos e incentivos fiscais para o desenvolvimento do interior.
Para analistas, Garotinho pretende capitalizar a nostalgia de um eleitorado que ainda associa seu nome a políticas públicas de impacto social.
“Ele sabe que, em um cenário de desgaste de figuras atuais, seu legado pode ser um contraponto emocional eficaz”, comenta um cientista político do RJ. A estratégia, porém, não esconde desafios: internamente, aliados do filho Wladimir — que planeja trocar a prefeitura por uma vaga na Câmara Federal — criticam sua “sombra longa”, enquanto rivais no mesmo grupo disseminam rumores sobre suposta inelegibilidade do “little boy”, alcunha que ironiza sua trajetória política desde os anos 1990.
Alvos no radar: Paes, Castro e Bacellar
Garotinho já ajusta o discurso contra potenciais adversários. Um dos alvos será Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio que sinaliza romper a promessa de não disputar o Governo em 2026.
“Garotinho seria devastador para Paes, pois pode esvaziar sua narrativa de gestor pragmático, lembrando seus próprios feitos e as crises atuais da capital”, avalia um deputado que acompanha as movimentações.
Também na mira estão o governador Cláudio Castro (PL), acusado de inércia, e Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Alerj e possível candidato do bloco governista.
“Garotinho quer ocupar o espaço de ‘outsider’ do establishment, mesmo sendo um veterano”, destaca uma fonte da Assembleia.
Crise em campos: O elefante na sala
Apesar do foco no passado glorioso, a gestão conturbada de Wladimir em Campos ameaça gerar ruídos. Com atrasos salariais, saúde colapsada e rombo bilionário, a cidade virou símbolo de má gestão. Os prefeitos do interior costumam falar em discurso que suas respectivas cidades “não podem se transformar em uma Campos dos Goytacazes,” símbolo de miséria e má gestão.
Garotinho, porém, insiste em separar as águas: “Enquanto alguns afundam, eu sigo com obras que mudaram o RJ”, diria, em tom de campanha não oficial.
Estratégia de guerra: entre o recall e o ataque
O plano passar por reativar bases eleitorais na região Metropolitana, Baixada e o interior, onde projetos como o Piscinão de Ramos ainda ecoam, e explorar a insatisfação com a alta do custo de vida. Paralelamente, Garotinho prepara ataques frontais a Paes, vinculando-o a “elites cariocas”, e a Castro.
Se a estratégia vencerá as barreiras da inelegibilidade (alvo de boatos) e do desgaste familiar, é incógnita. Mas, para o ex-governador, o jogo só começa. Como resumiu um aliado: “Ele sabe fazer tempestade até em copo d’água — e agora quer o oceano”.
E para fazer uma grande tempestade, Anthony Garotinho só precisa de suas redes sociais bem ativas.











