A decisão do plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que revogou a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (9). O documento é assinado por Guilherme Delaroli, primeiro vice-presidente que assumiu o comando da Casa após a prisão do parlamentar.
Também nesta terça, Delaroli enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a comunicação oficial da decisão, acompanhada de cópia da publicação no D.O. Agora, cabe ao ministro Alexandre de Moraes determinar se Bacellar será solto, após ter sido preso na semana passada sob suspeita de vazar informações sigilosas de uma operação policial.
Além da possibilidade de libertação, Moraes pode aplicar medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de contato com outros investigados.

A publicação ocorre um dia depois da votação que autorizou a revogação da prisão. No plenário, 42 deputados votaram pela soltura e 21 foram contrários.
As suspeitas que levaram à prisão
Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF). A investigação apura o vazamento de informações da Operação Zargun, deflagrada em setembro e que resultou na prisão do ex-deputado estadual TH Joias, acusado de ligação com o Comando Vermelho.
O mandado foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, que também determinou o afastamento de Bacellar da presidência da Alerj. Em sua decisão, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de que o deputado atuou para obstruir investigações contra a facção criminosa, influenciando inclusive setores do Poder Executivo estadual.
Mensagens e ligações apontadas pela investigação indicam que, na véspera da Operação Zargun, Bacellar teria alertado TH Joias sobre os mandados e orientado a destruir provas. O ex-parlamentar chegou a organizar uma mudança às pressas usando um caminhão-baú.
O g1 apurou que Bacellar foi preso após ser convidado a comparecer à Superintendência da PF na Praça Mauá, onde recebeu voz de prisão assim que chegou. Seu celular foi apreendido. TH Joias foi levado para prestar depoimento, mas permaneceu em silêncio.
Na mesma data, agentes apreenderam R$ 90 mil no carro utilizado por Bacellar.
Defesa nega envolvimento
O advogado Bruno Borragini, que representa o deputado, afirmou que a prisão foi “totalmente desproporcional” e que Bacellar “não praticou nenhuma conduta ativa” para prejudicar as investigações. Ele também negou que o parlamentar tenha repassado informações sigilosas a TH Joias e disse que a iniciativa do contato não partiu do presidente da Alerj.
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