Em entrevista recente, o ex-deputado e candidato ao Senado Marcelo Itagiba (Avante-RJ) afirmou que Romário (PL-RJ) foi um craque nos gramados, mas avaliou que é um desastre como Senador representando o Estado do Rio.
Sobre o desempenho como jogador de futebol os números chancelam. Em jogos oficiais, foram 747 gols. Segundo suas contas, que incluem partidas não-oficiais, o craque balançou as redes mais de mil vezes.
Na política, no entanto, seus cálculos dão conta de mais de R$ 200 milhões em emendas destinadas ao Estado do Rio de Janeiro, mas uma simples pesquisa no portal da transparência aponta que o montante no mandato como senador é de pouco mais de R$ 50 milhões em valores efetivamente pagos.
“Quando nasci, papai do céu apontou para mim e disse: Esse é o cara”, afirmou Romário ao final de uma partida. Isso porque, no futebol, fazer gols é para poucos. Com as emendas parlamentares já é diferente: basta ter sido eleito para Romário ter direito a destinar recursos a áreas e locais que considere relevantes. Portanto, não basta o senador simplesmente fazer emendas.
Nos grandes clubes de futebol, os goleadores tendem a receber os maiores salários do time. Afinal, entregam ao torcedor o que é conhecido como o grande momento do futebol. No Senado, todos os integrantes têm acesso ao mesmo montante máximo de recursos, e recebem o mesmo salário para desempenharem seu papel.
Para o contribuinte essa atividade tem custo. Ao final de seus oito anos de mandato como senador, Romário terá gerado um custo com pessoal de aproximadamente R$ 28,4 milhões. Somados com outros gastos para exercício da atividade parlamentar, esse valor chega a R$ 30,8 milhões. O cálculo é simples: valores de emendas pagas menos o custo-Romário ao Brasil gera um valor real de R$ 19,2 milhões, uma média de R$ 2,4 milhões por ano, ou R$ 200 mil mensais. Valor insuficiente para pagar o salário de um atacante de qualquer grande clube brasileiro.
Nem só de fazer gols vive um atacante no futebol moderno. Compor o sistema defensivo é fundamental. Defender os interesses da população e do seu estado não são qualidades do senador Romário. Votou favorável ao Projeto de Lei 4.348/19, que favorece a grilagem na Amazônia Legal. Votou também na MP 1.031/21, que estabeleceu a privatização da Eletrobrás, um patrimônio do povo brasileiro cuja venda resultará em mais aumentos na conta de energia elétrica. Como se não fosse o bastante, votou sim na PEC 6/2019, a da reforma da previdência que tornou ainda mais tortuoso o caminho do trabalhador rumo à aposentadoria.
Há uma percepção do setor produtivo fluminense que Romário não se mobiliza por temas de fundamental interesse do Rio de Janeiro, como a questão dos royalties do petróleo e das termelétricas a gás que o Governo Federal quer construir no nordeste e centro oeste, enquanto o gás natural é produzido quase totalmente no seu estado.
Para o Brasil, Romário goleador, artilheiro da Copa do Mundo de 1994, a Copa do Tetra, deixa saudades. Já para o Estado do Rio, o Romário político joga desajeitado, se posiciona mal, troca passes com quem não deve e custa caro ao Brasil.











