Está disponível nas plataformas digitais streaming, a série “ELEITA” da diretora Carolina Jabor, onde a personagem principal é uma jovem desengonçada, desbocada e falida que, mediante manipulação e acaso, ganha a cobiçada eleição para governar a (também falida) segunda economia da federação brasileira.
Iniciando o mandato, ela (a jovem e sonhadora governadora) propõe distribuir de maneira, completamente igual, a grana da riquíssima indenização do petróleo que jorra nos cofres fluminenses – causando espanto na classe política que já lhe apoiava com desconfiança.
Dando sequência em suas “prioridades”, a personagem (FEFÊ) sugere a construção de uma Nova (Nova Iguaçu) – agora sob o domínio de um grande monopólio midiático de proporções mundiais (rsrs!). Quando o prefeito daquela imaginária cidade descobre que vai perder poder, fica aborrecido e torna-se grande adversário dessa estapafúrdia ideia.
Mas não para por aí, pois a “governadora” resolve baixar as tarifas das empresas de ônibus e aí, simplesmente, esbarra com o início de sua deposição pelo poder legislativo comandado por uma deputada evangélica!
Saindo da ficção para o mundo real, o Estado do Rio de Janeiro foi a unidade da federação que teve menor ritmo de crescimento anual no país entre 1985 e 2019. Com isso, ficou abaixo da média de crescimento econômico nacional anual para o período.
Já a economia de Mato Grosso foi a que apresentou maior cadência de alta anual do Produto Interno Bruto (PIB) – sendo quase duas vezes mais forte do que média anual do Brasil. É o que mostra a economista Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), e de Marcel Balassiano, pesquisador do Ibre e atualmente subsecretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da prefeitura do Rio de Janeiro.
Os especialistas calculam que a taxa de crescimento real média do Rio foi de 1,5% ao ano no período, inferior a de outros Estados e abaixo da de 2,3% para Brasil em 35 anos. No entendimento dos pesquisadores, a menor atratividade do Rio para investimento, ao longo das décadas, foi causada por políticas públicas ineficientes, diante da maldição dos recursos naturais representada pela desindustrialização e inadequado uso da riqueza do petróleo.
Como sinal de esperança e de que nem tudo estaria perdido, encerro este breve ensaio homenageando os fundadores do belo projeto “Domingo é dia de cinema” – uma iniciativa que completa 20 anos levando cultura para jovens pré-adolescentes nas salas de capacitação para o vestibular em comunidades de baixa renda cariocas.
A arte vai nos salvar!
*Ranulfo Vidigal é economista, consultor e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é colunista permanente do Diário da Guanabara.












