Os sinais são eloquentes. Desde a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula (PT) no Jornal Nacional da TV Globo, em 25 de agosto, quando o apresentador William Bonner “sentenciou” afirmando “o senhor não deve nada à justiça”, o jornalismo da emissora sinalizou que abandonou o ex-juiz Sérgio Moro à própria sorte.
Neste sábado (3), o ex-juiz da Lava-Jato, que é candidato ao Senado pelo União Brasil, no Paraná, foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Justiça Eleitoral, conforme amplamente noticiado pela mesma mídia que um dia o saudou como herói nacional.
Sérgio Moro provou do mesmo veneno dos tempos da Lava-Jato, quando promoveu um festival de busca, apreensão e condução coercitiva para deleite do jornalismo alinhado ao que era propagado como Operação anticorrupção.
A iniciativa da justiça eleitoral doeu tanto, que Moro usou o Twitter para afirmar que “não se intimidará” e afirmou que a ação foi uma representação do tipo de democracia que o PT quer.
Hoje, o PT mostrou a “democracia” que pretende instaurar no país, promovendo uma diligência abusiva em minha residência e sensacionalismo na divulgação da matéria. O crime? Imprimir santinhos com letras dos nomes dos suplentes supostamente menores do que o devido. ➡️
— Sergio Moro (@SF_Moro) September 3, 2022
A operação determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) teve como objetivo o recolhimento de materiais de campanha irregulares do candidato. A busca e apreensão se deu no apartamento do ex-juiz porque esse foi o endereço do comitê de campanha registrado pela candidatura.
Sérgio Moro não está mentindo quando diz que foi coisa do PT. O TRE atendeu a um recurso movido pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV contra Moro.
Também no sábado, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paulo de Tarso Sanseverino, determinou que redes sociais retirem do ar publicações do cantor Latino, e de outros perfis que ainda não tiveram os donos identificados, contendo vídeos editados com falas do ex-presidente Lula.
No caso de Moro, a ação da justiça eleitoral com ampla cobertura midiática destoa dos tempos em que pautou o jornalismo do país com a Operação que serviu para demonizar o PT e o próprio Lula. Ao que tudo indica, “doutor Moro” é coisa do passado, pois já deu a cota de contribuição que a velha mídia precisava.
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