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O Rio de Janeiro está perdido? A falência de um estado símbolo e o reflexo no Brasil inteiro

O colapso do Estado no Rio de Janeiro já ultrapassa fronteiras e influencia diretamente a escalada da violência em outros estados, como a Bahia. Ainda há saída — mas exige coragem política.

Pedro Barbosa Por Pedro Barbosa
06/05/2025 - 19:50
em Opinião
O Rio de Janeiro vive um colapso institucional com reflexos em todo o Brasil. A crise de segurança, corrupção e abandono do Estado já atinge também a Bahia.

Imagem: ilustração

Durante décadas, o Rio de Janeiro foi sinônimo de Brasil para o mundo: o Cristo Redentor, as praias de Copacabana, o samba, o futebol e a alegria. Hoje, no entanto, esse mesmo estado se tornou um triste retrato da falência de políticas públicas, da violência institucionalizada e do abandono social.

O Rio não está somente em crise — ele parece perdido. E essa perda tem consequências para todo o país.

É impossível ignorar os números: comunidades inteiras, como Complexo do Alemão, Vila Cruzeiro, Jacarezinho, Rocinha e outras, vivem sob o domínio armado — seja do tráfico ou das milícias. Em algumas dessas regiões, o Estado só entra com tanques e helicópteros. E, mesmo assim, entra para matar, não para servir.

A ideia de “cidade partida”, descrita por Zuenir Ventura ainda nos anos 90, nunca foi tão real. De um lado, a Zona Sul, que ainda se agarra ao encanto turístico. Do outro, uma população esquecida, cercada pelo medo, pela pobreza e pela ausência do Estado.

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Corrupção institucionalizada

O problema não é só a criminalidade armada. O Rio de Janeiro também se afunda em corrupção política crônica. Não é coincidência que vários ex-governadores estejam ou estiveram presos. O desvio de verbas públicas, a falta de transparência e o conchavo com organizações criminosas tornaram o poder público parte do problema.

Quando o Estado se torna refém dos próprios esquemas de poder, o cidadão comum fica sem amparo.

A influência direta na violência da Bahia

Um dos exemplos mais alarmantes da exportação da violência carioca é o que está acontecendo na Bahia. Nos últimos anos, o estado baiano enfrenta uma escalada brutal na criminalidade, especialmente em Salvador e nas regiões metropolitanas. Facções como o Comando Vermelho, originado no Rio de Janeiro, ampliaram seu território e influência, travando guerras sangrentas com grupos locais, como o BDM (Bonde do Maluco).

A rota do tráfico de drogas, armas e o domínio de territórios em áreas periféricas passou a seguir estratégias idênticas às aplicadas nas comunidades cariocas: ocupação armada, intimidação de moradores, extorsão de comerciantes e confronto direto com as forças policiais.

O que começou nas favelas cariocas já atinge o coração do Nordeste.

E o povo?

O mais grave de tudo é que, no meio desse caos, estão milhões de pessoas comuns tentando sobreviver. Gente que acorda cedo, pega transporte lotado, cria filhos com medo de bala perdida e ainda tenta sonhar. Essas pessoas são as maiores vítimas da guerra não declarada que assola o estado.

Está perdido… ou está sendo deixado para perder?

Dizer que o Rio de Janeiro está perdido é, ao mesmo tempo, um diagnóstico e um alerta. Perdido está o poder público, que abandonou sua missão básica. Perdida está a classe política, que prioriza interesses pessoais. Perdida está a esperança de muitos jovens que crescem sem perspectiva.

Mas ainda há saída. O Rio precisa de um plano de reconstrução real — não militarizado, mas humanizado. Ações integradas de segurança, educação, urbanização, cultura, emprego e escuta da comunidade. Uma intervenção de verdade, não só para conter, mas para transformar.

O exemplo de El Salvador: de país mais violento à referência em segurança

A recuperação de El Salvador mostra que, mesmo os cenários mais desesperadores, podem ser revertidos com ação coordenada, firmeza e estratégia de longo prazo. Há poucos anos, o país da América Central era conhecido por ter a maior taxa de homicídios do mundo, dominado por facções como a MS-13 e a Barrio 18.

Sob o governo de Nayib Bukele, o país adotou medidas duras: Estado de Exceção, reforma no sistema prisional, operações contra o crime organizado e reocupação de territórios. Mas não ficou somente na repressão — El Salvador também investiu em turismo, infraestrutura urbana, educação e comunicação social.

Como resultado, as taxas de violência despencaram, regiões antes dominadas pelo medo foram recuperadas e o país começou a atrair investimentos e visitantes. Projetos como o Surf City mostraram que segurança e desenvolvimento precisam andar de mãos dadas.

O Rio de Janeiro pode estar à beira do abismo, mas ele ainda é Brasil. Ignorar o que acontece ali é deixar que o mesmo destino alcance outros estados — como já está acontecendo com a Bahia.

El Salvador provou que não existe território irrecuperável. Existe ausência de vontade política. Existe negligência. E existe a possibilidade de mudança — se houver coragem para agir.

Tags: #Bahia#ComandoVermelho#corrupção#Editorial#ElSalvador#Favelas#Milícias#NayibBukele#Opinião#PolíticaBrasileira#RioDeJaneiro#SegurançaPública#ViolênciaUrbana
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