Prestes a atingir a marca dos 100 primeiros dias, o novo governo embora aprovado por 41% da população (IPEC), enfrenta uma conjuntura social nacional e internacional extremamente complexa e desafiadora.
No cenário internacional, a crise de liquidez bancária nos EUA e Europa atinge até a sólida economia suíça especializada em produzir chocolates, alta tecnologia e gerenciamento de grandes fortunas.
Taxas nominais de juros (reais ainda negativas) em aceleração prenunciam uma forte recessão no Ocidente mexendo nos preços das matérias primas estratégicas (notadamente o petróleo) e afetando as economias da periferia do sistema, como é o caso do Brasil. Além do choque de liquidez temos uma guerra na Ucrânia, que desperdiça recursos humanos e destrói forças produtivas acarretando instabilidade na geopolítica mundial.
Internamente, os desafios brasileiros não são diferentes. O fortalecimento das bancadas associados aos grandes oligopólios econômicos no Congresso Nacional (uma casa cada dia mais conservadora) exige da nova administração um elevado “jogo de cintura” para pautar mudanças na legislação que tornem, por exemplo, a estrutura tributária nacional mais justa, eficaz e capaz de manter o pacto federativo.
No campo financeiro, o mantra da “fada da confiança” e o controle do orçamento público pela ala financista do mercado de capitais gera a presença incômoda de uma taxa real de juros completamente incompatível com a redinamizacão da economia nacional, tão necessária para prover renda e empregos às famílias brasileiras.
Vejamos então a projeção de crescimento da economia para 2023 que consta no Boletim FOCUS. Pelo andar da carruagem, os detentores da renda da terra rural e do agronegócio vão sair na frente, mediante o forte crescimento da safra agrícola.
Em contrapartida, o núcleo industrial dinâmico (o setor de transformação) ainda patina, mas o setor de extração mineral continua em aceleração na produção e exportação de bens. Já no setor de serviços, que emprega mais da metade da força de trabalho formal, a projeção é de baixo crescimento, após uma forte aceleração nos últimos dois anos.
Neste contexto, impor uma “camisa de força” ao orçamento público e gastar 7% do PIB com os juros da Dívida Pública parece um ato insano e politicamente incompatível com a esperança que permeia, uma parte expressiva da sociedade brasileira por melhorias.
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