Encerrada a votação do primeiro turno da eleição, embora o líder popular petista tenha obtido sua maior votação histórica, a sensação é de derrota política e perplexidade. O Congresso, ainda por cima, tornou-se mais reacionário e conservador. Mediante candidaturas turbinadas pelo Fundo Eleitoral e pelo famigerado “orçamento secreto”.
A frente liberal-popular obteve 173 apoios, contra 203 do bolsonarismo raiz. O centro liberal, cada dia mais encolhido, ainda será o fiel da balança, ao contabilizar quase 200 parlamentares na Câmara Federal. No Senado não é muito diferente o quadro geral.
A inegável vitória política de Bolsonaro no primeiro turno de 2022 surge, depois de toda campanha de parte da mídia corporativa e da manipulação das pesquisas eleitorais. A sonhada vitória na primeira volta não veio frustrando a aguerrida militância petista.
Ao longo do primeiro turno, o “lulismo” evitou explicitar seu programa, embora saibamos todos que a reforma proposta do que hoje existe seja apenas a sua manutenção, com modificações cosméticas.
De outro lado, o conservadorismo radicalizado da ultradireita insiste na naturalização da desigualdade e na extrema concorrência predatória, que resulta em centralização e concentração de capital, como nunca antes observado na terra brasilis.
Por outro lado, o petucanismo social liberal se transformou, rapidamente, em apenas a reafirmação do mesmo. Foi tanto para a direita que se converteu em representante da ordem, em continuidade do que já existe, principalmente no campo econômico.
Sua vitória, se vier, será contra um conservadorismo organizado politicamente, que quase já será a força eleitoral mais forte para 2026. Principalmente se o progressismo liberal- travado pela austeridade fiscal- não atacar os reais problemas da sociedade brasileira, no tocante à crise social, ausência de oportunidades produtivas e desigualdade abissal.
Nesse contexto, o que parece é que para ganhar as eleições, o líder metalúrgico Lula, no segundo turno irá ainda mais do centro-direita e deixará saudades em muitos dos seus apoiadores do período em que ainda podia-se sonhar com melhores dias para a maioria da população. Neste contexto, a indagação que fica é: Seria apenas isso que este reformismo rebaixado será capaz de atingir: ir para a direita? Mas isso vai adiantar?
Bom, mas ainda tem a conjuntura internacional de crise e guerra na Europa, recessão americana, juros em alta nos EUA e China desacelerando. Para uma economia periférica e dependente como a brasileira, essa combinação exige cuidados adicionais.
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