O governador Cláudio Castro mergulha cada vez mais fundo em crises institucionais e humanitárias, culminando na Operação Contenção como o episódio mais trágico e escancarado de sua gestão. A ofensiva desta terça-feira, (28), nos complexos do Alemão e da Penha, materializou em números o fracasso da política de segurança no Rio: ao menos 64 mortos, quatro deles policiais, e uma cidade sitiada por medo, bloqueios, escolas paradas e o comércio refém do caos.
Enquanto expõe corpos como troféus, a administração repete os velhos erros e tenta empurrar a conta — e a culpa — para suas próprias alianças e para a suposta omissão federal.
A marca de 64 mortos na “Operação Contenção” — no que já se consagra como a ação policial mais letal da história do estado — é o retrato cruel do fracasso de uma política de confronto que insiste em tratar áreas periféricas como territórios inimigos.
Dois mil e quinhentos policiais, 93 fuzis apreendidos, escolas fechadas, ônibus sequestrados para barricadas, pessoas encurraladas pelos tiros: essa é a herança de Cláudio Castro, que, acuado, tenta jogar o peso da tragédia no colo do governo federal e de seus opositores, enquanto se aproxima cinicamente dos mesmos políticos e empresários que ajudaram a empoderar as facções criminosas.
Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, não poupa críticas e revela que o governo estadual sequer formalizou pedido prévio de apoio federal para a operação — uma inversão de narrativa que só serve para obscurecer responsabilidades e alimentar adversários políticos.
O Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União e entidades internacionais como a ONU cobram explicações urgentes, questionando tanto a ausência de tentativa de métodos menos violentos quanto o cumprimento dos parâmetros do STF para operações em favelas, especialmente o respeito à integridade e à dignidade das populações atingidas.
O resultado, longe de qualquer ideal de combate ao crime, é a consolidação do Rio de Janeiro como palco de execuções sumárias e de violações sistemáticas dos direitos humanos, impactando negativamente a imagem do Brasil perante o mundo. O editorial do Diário da Guanabara não hesita: a política de carnificina, desprezo ao controle institucional e blindagem de aliados acusados de crimes fiscais e lavagem de dinheiro precisam ser expostas e responsabilizadas.
O governador, com suas metamorfoses e manobras de autopreservação, não pode sair pela porta dos fundos da história, mas sim responder por um capítulo de vergonha e luto nacional.
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