Brasil e Marrocos estarão em lados opostos neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pela estreia das duas seleções na Copa do Mundo de 2026. A partida, válida pelo Grupo C, começa às 19h, no horário de Brasília, e marca o início da caminhada brasileira em busca do sexto título mundial.
Fora de campo, porém, a relação entre os dois países é marcada por mais de um século de aproximação diplomática, cooperação entre governos e uma corrente comercial que chegou a US$ 2,8 bilhões em 2025.
As relações entre Brasília e Rabat foram estabelecidas oficialmente no início do século XX. O Brasil abriu sua embaixada na capital marroquina em 1963, enquanto o Marrocos instalou sua representação diplomática em Brasília em 1967. Desde então, os dois países ampliaram o diálogo político e criaram mecanismos permanentes para tratar de temas bilaterais, regionais e multilaterais.
Em 1999, os governos instituíram um mecanismo de consultas políticas, fortalecendo a interlocução entre as chancelarias. A agenda ganhou novo impulso em 2016, durante visita do então ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira ao Marrocos. Na ocasião, os dois países decidiram ampliar a cooperação em áreas como agroalimentação, energias renováveis, logística, aeronáutica, infraestrutura, transporte, saúde e turismo.
Também voltou ao debate a possibilidade de avançar nas negociações entre o Mercosul e o Marrocos, com base em entendimento firmado anteriormente entre as partes.
A cooperação bilateral recebeu novos instrumentos em 2019, durante visita do chanceler marroquino Nasser Bourita ao Brasil. Foram assinados acordos nas áreas de investimentos, defesa, extradição, transferência de pessoas condenadas e auxílio jurídico em matéria penal, além de um memorando entre academias diplomáticas.
Após um intervalo de sete anos, o mecanismo de consultas políticas voltou a se reunir em maio de 2024. As delegações trataram de comércio, serviços, investimentos, cooperação para o desenvolvimento e novos acordos.
No mês seguinte, Mauro Vieira retornou ao Marrocos, na primeira visita de um chanceler brasileiro ao país desde 2016. Os governos decidiram estabelecer um diálogo estratégico e incentivar projetos em segurança alimentar, economia verde, logística e cooperação com outros países africanos.
A relação econômica é um dos principais pilares da aproximação entre Brasil e Marrocos. Em 2023, o intercâmbio bilateral somou US$ 2,65 bilhões, colocando o Marrocos entre os principais parceiros comerciais do Brasil no continente africano.
As exportações brasileiras para o mercado marroquino são concentradas principalmente em produtos do agronegócio, como açúcar não refinado e milho. Já as importações brasileiras vindas do Marrocos têm forte presença de fertilizantes fosfatados, insumo estratégico para a produção agrícola nacional.
Em 2025, a corrente de comércio chegou a US$ 2,8 bilhões, com equilíbrio entre exportações e importações brasileiras: US$ 1,4 bilhão em cada sentido.
A agenda bilateral também avançou para setores tecnológicos. Em março de 2025, Brasil e Marrocos firmaram um memorando de entendimento sobre tecnologias de informação e comunicação. O documento prevê intercâmbio de experiências em 5G, infraestrutura de telecomunicações, governo digital, inteligência artificial, segurança cibernética, proteção de dados e centros de processamento.
No setor agropecuário, o Marrocos autorizou em abril de 2025 a entrada de miúdos bovinos brasileiros e atualizou as condições para exportação de carne bovina. No mesmo período, uma missão do Ministério da Agricultura e Pecuária esteve em Rabat para tratar de comércio, cooperação técnica e ampliação de oportunidades para o setor produtivo.
Apesar da relação histórica e estratégica, a diplomacia dará lugar à rivalidade esportiva durante 90 minutos neste sábado. Brasil e Marrocos iniciam a disputa no Grupo C, que também conta com Escócia e Haiti.
A Seleção Brasileira chega ao Mundial com a responsabilidade de buscar o hexacampeonato. Já Marrocos tenta confirmar a força demonstrada em 2022, quando fez história ao se tornar a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo.
O duelo coloca frente a frente dois países com laços consolidados fora de campo, mas que, na estreia da Copa, terão objetivos completamente opostos: começar o Mundial com vitória.
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