Wesley viu o sonho de disputar sua primeira Copa do Mundo terminar a poucos dias da estreia da Seleção Brasileira. O lateral-direito da Roma sofreu uma lesão muscular durante a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Egito, no último amistoso da equipe antes do Mundial de 2026.
O problema aconteceu no primeiro tempo da partida disputada em Cleveland, nos Estados Unidos. Aos 16 minutos, Wesley sentiu dores na região da virilha esquerda depois de participar de uma jogada ofensiva. Ele recebeu atendimento médico, pediu para deixar o campo e foi substituído por Danilo. No banco de reservas, apareceu chorando e sendo consolado pelos companheiros.
No dia seguinte, o jogador passou por exames. A ressonância magnética confirmou uma lesão muscular no adutor da coxa esquerda. Diante do resultado, a Confederação Brasileira de Futebol anunciou o corte do lateral e convocou o meio-campista Éderson, da Atalanta, para ocupar a vaga no elenco.
O que é o adutor da coxa?
Os adutores são músculos localizados principalmente na parte interna da coxa. Eles têm papel importante na movimentação das pernas, na estabilidade do quadril e em ações que aproximam a perna da linha central do corpo.
No futebol, essa musculatura é exigida constantemente. Chutes, cruzamentos, arrancadas, mudanças rápidas de direção e movimentos de aceleração e desaceleração colocam grande carga sobre a região.
Uma lesão muscular acontece quando as fibras são submetidas a um esforço além do que conseguem suportar. Isso pode provocar desde pequenas rupturas até danos mais extensos. Os adutores também fazem parte da musculatura da região da virilha, justamente onde Wesley sentiu dor antes de deixar o amistoso.
Exame apontou lesão de grau 3
A CBF informou oficialmente que Wesley sofreu uma lesão muscular no adutor da coxa esquerda, mas não detalhou publicamente o grau no comunicado que anunciou o corte.
Posteriormente, o ge informou que o exame realizado com o jogador indicou uma lesão de grau 3 e que a previsão inicial era de, no mínimo, 40 dias de recuperação. Wesley retornou a Roma para realizar novos exames e seguir o tratamento definido pelo clube italiano.
Lesões musculares são normalmente classificadas em três níveis. O grau 1 representa uma lesão mais leve, com comprometimento de poucas fibras. No grau 2, a ruptura é maior e pode provocar perda de força e limitação dos movimentos.
O grau 3 é considerado o mais grave. Ele representa uma ruptura extensa das fibras musculares e, em algumas classificações médicas, pode corresponder a uma ruptura completa. O diagnóstico individual depende dos exames de imagem, da região atingida e da avaliação médica.
Uma lesão desse porte não permite que um jogador retorne aos gramados apenas quando a dor desaparece.
Primeiro, é necessário permitir a cicatrização do tecido lesionado. Depois, o atleta passa por etapas de fisioterapia, recuperação da mobilidade e fortalecimento muscular. Só então começa uma progressão com corrida, mudanças de direção, exercícios com bola e atividades de maior intensidade.
Antes de voltar a uma partida, o jogador também precisa recuperar força e confiança para executar movimentos explosivos sem aumentar o risco de nova lesão.
No caso de Wesley, havia ainda um problema decisivo: o tempo.
Lesão aconteceu uma semana antes da estreia
Wesley se machucou no dia 6 de junho. A estreia brasileira na Copa estava marcada para o dia 13, diante do Marrocos, em Nova Jersey. Ou seja, havia apenas uma semana entre a contusão e o primeiro compromisso do Brasil no Mundial.
Com uma estimativa mínima de aproximadamente 40 dias de recuperação, não havia perspectiva de que o lateral pudesse atuar durante a competição. Carlo Ancelotti chegou a classificar a lesão como “bastante séria” e afirmou que Wesley não conseguiria se recuperar durante a Copa.
O corte, portanto, tornou-se inevitável.
A situação foi especialmente dolorosa porque Wesley, de 22 anos, havia sido escolhido entre os 26 jogadores convocados por Ancelotti para representar o Brasil no Mundial.
O lateral da Roma usaria a camisa 2 e disputaria sua primeira Copa do Mundo. Ele havia participado de toda a preparação e chegou ao último amistoso antes do torneio como o único lateral-direito de origem entre os convocados.
Depois do diagnóstico, o jogador publicou uma mensagem nas redes sociais lamentando o corte e afirmou que precisava interromper um sonho por causa da lesão. Wesley também destacou que pretendia enfrentar a recuperação como mais um desafio da carreira.
Éderson foi chamado para a vaga
Para substituir Wesley na lista, Ancelotti optou por não convocar outro lateral. O treinador chamou Éderson, meio-campista da Atalanta.
A decisão foi possível porque Danilo e Ibañez poderiam ser utilizados no lado direito da defesa. Ancelotti explicou que confiava nos dois jogadores para a posição e preferiu reforçar o meio-campo com Éderson.
O substituto se apresentou à delegação brasileira nos Estados Unidos no dia 8 de junho e iniciou imediatamente os treinamentos para o Mundial.
Depois de deixar a concentração da Seleção, Wesley retornou a Roma para dar sequência ao tratamento.
Cerca de duas semanas depois, o lateral divulgou imagens realizando exercícios na piscina, atividades físicas e trabalhos com bola. Naquele momento, o jogador seguia o cronograma de recuperação estabelecido pelo clube italiano.
Embora as imagens mostrassem evolução, o trabalho com bola não significava liberação imediata para jogos. Em lesões musculares importantes, o retorno é feito por etapas e depende da resposta do atleta aos testes físicos e clínicos.
Para Wesley, a prioridade passou a ser completar o tratamento e recuperar plenamente a musculatura depois de uma lesão que, em questão de segundos, encerrou sua participação na primeira Copa do Mundo da carreira.
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