O setor sucroenergético brasileiro reagiu às críticas feitas por autoridades comerciais dos Estados Unidos em relação às regras de importação de etanol adotadas pelo Brasil.
Em posicionamento conjunto divulgado nesta semana, entidades representativas da cadeia de biocombustíveis defenderam a política tarifária nacional e afirmaram que as medidas seguem as normas estabelecidas pelo Mercosul, sem qualquer tratamento diferenciado aos produtos norte-americanos.
Segundo as organizações, a tarifa aplicada ao etanol importado está vinculada à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, sendo aplicada de forma uniforme a todos os países que não integram o bloco econômico sul-americano.
Dessa forma, o setor argumenta que a cobrança não foi criada para restringir especificamente a entrada do combustível produzido nos Estados Unidos.
As entidades também ressaltaram que os próprios Estados Unidos mantêm, há décadas, mecanismos de proteção ao mercado interno de açúcar. Entre as medidas citadas estão cotas de importação e tarifas consideradas elevadas, que limitam significativamente o acesso do produto brasileiro ao mercado norte-americano.
A manifestação ocorre em meio a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia práticas comerciais adotadas pelo Brasil.
O relatório norte-americano analisa temas como o acesso ao mercado de etanol, o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas à propriedade intelectual, políticas tarifárias e ações de combate ao desmatamento ilegal.
Com base nas conclusões preliminares da investigação, o governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A proposta ainda está em fase de discussão e depende de novas análises antes de uma decisão definitiva.
Em resposta às críticas, o setor sucroenergético destacou a relevância do etanol brasileiro para a agenda global de descarbonização.
As entidades afirmam que o combustível produzido no país possui baixa intensidade de carbono, atende a critérios rigorosos de sustentabilidade e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Além de defender a competitividade do produto nacional, as organizações reforçaram que divergências comerciais entre os dois países devem ser resolvidas por meio do diálogo e da negociação diplomática.
O setor também manifestou confiança na atuação do governo brasileiro para preservar os interesses nacionais e evitar impactos negativos sobre o comércio bilateral.
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