A agricultura brasileira registrou em 2025 o maior volume de produção de grãos de sua história. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (15), o país colheu 346,1 milhões de toneladas, superando todos os números da série histórica iniciada em 1975. O desempenho consolida a força do setor mesmo após os efeitos de eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos.
O novo patamar supera o recorde anterior de 2023, quando a produção nacional ultrapassou pela primeira vez a marca de 300 milhões de toneladas. Apesar da queda registrada em 2024, principalmente em razão das enchentes no Rio Grande do Sul, a safra daquele ano ainda se manteve acima de todos os volumes observados até 2022.
No acumulado entre 2023 e 2025, a produção somou 955,23 milhões de toneladas, cerca de 200 milhões a mais do que o registrado no triênio 2019–2021.
A produção segue concentrada em poucas culturas estratégicas. A soja liderou com 166,1 milhões de toneladas, seguida pelo milho, que alcançou 141,7 milhões. Também tiveram destaque o algodão, com 9,9 milhões, o sorgo, com 5,4 milhões, e o café canephora, com 1,3 milhão de toneladas. Houve crescimento nas colheitas de algodão, arroz, soja, milho e sorgo, enquanto feijão e trigo apresentaram retração em relação ao ano anterior.
De acordo com o IBGE, o avanço não se deve principalmente à ampliação da área cultivada, mas ao aumento da produtividade. Embora a área plantada tenha crescido de 48,9 milhões de hectares em 2012 para 81,6 milhões em 2025, o salto na produção foi proporcionalmente maior.
Para o gerente de Agricultura do instituto, Carlos Alfredo Guedes, o resultado reflete décadas de investimento em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, com destaque para o papel da Embrapa na criação de cultivares adaptadas aos diferentes biomas brasileiros.
O desempenho também foi impulsionado por políticas públicas de apoio ao setor. Em julho do ano passado, o governo federal lançou o Plano Safra 2025/2026, com R$ 516,2 bilhões destinados ao financiamento do agronegócio. O programa ampliou o crédito rural, incentivou práticas sustentáveis e fortaleceu a infraestrutura produtiva no campo.
No recorte regional, o Centro-Oeste manteve a liderança, respondendo por 51,6% da produção nacional, seguido pelo Sul, com 24,9%. Sudeste, Nordeste e Norte tiveram participações menores.
Entre os estados, Mato Grosso segue na primeira posição, concentrando 32% da safra brasileira. Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam o grupo que responde por cerca de 80% da produção de grãos do país.
O recorde alcançado em 2025 reforça a relevância estratégica do agronegócio para a economia nacional e evidencia a capacidade do setor de crescer, inovar e se recuperar mesmo diante de desafios climáticos e estruturais.
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