Principal autoridade monetária dos EUA, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, admitiu que as sanções adotadas pelo governo norte-americano estão provocando uma desdolarização da economia mundial. Nos últimos anos, segundo ela, vários países estão buscando alternativas ao dólar para formalizar acordos bilaterais ou em blocos econômicos.
A desdolarização já evidencia nos tratados entre países dos BRICS e também entre China e países produtores de petróleo do Oriente Médio, o que deverá desatrelar a cotação do barril do petróleo ao dólar.
O atrelamento com a principal matriz energética mundial é um dos fatores que faz do dólar uma moeda de reserva.
“Não surpreende que os países que temem ser afetados por nossas sanções estejam buscando alternativas ao dólar. É algo que simplesmente temos que esperar”, disse Yellen, ao falar durante sua participação anual na reunião do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, para debater a situação do sistema financeiro internacional.
O parlamentar Vicente Gonzalez destacou que mesmo países tradicionalmente alinhados à política da Casa Branca, como a França, têm feito transações em outras moedas. Ele questionou se não seria prudente os EUA reduzirem as sanções em sua política externa.
Ainda que tenha reconhecido a crescente diversificação em relação ao dólar, Yellen afirmou que ainda “não vê nenhuma solução alternativa significativa para substituir o dólar como reserva global”, mantendo a crença de que a moeda manterá seu status dominante.
“Devemos esperar um aumento gradual da participação de outros ativos nas reservas do países, o que seria um desejo natural de diversificar. No entanto, não será fácil para nenhum país encontrar uma maneira de contornar o dólar”, disse a presidente do Tesouro.
Ela cita como principais fatores que favorecem o dólar, “os mercados financeiros abertos e com grande liquidez, estado de direito forte e ausência de controle de capital”, o que não sua avaliação, nenhum país é capaz de replicar.
Entenda os efeitos colaterais das sanções
As sanções econômicas são mecanismos que os EUA utilizam em sua política externa para punir ou submeter países desalinhados aos seus interesses. A Rússia, por exemplo, teve metade de suas reservas mundiais congeladas no sistema financeiro internacional por conta da guerra na Ucrânia.
O congelamento se deu por meio do sistema de mensagens SWIFT, controlado pelo governo norte-americano. O mecanismo reduziu a capacidade de transações por parte dos bancos russos, obrigando Moscou a mudar as trocas comerciais com outros países para moedas locais.
O mesmo acontece com a China, que sob sanções comerciais dos EUA, está negociando com outros países em sua moeda, o yuan, principalmente no comércio de energia com a Rússia. Na América do Sul, Brasil e Argentina também começarão a negociar com a China em yuan.
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