As cotações internacionais do açúcar encerraram esta sexta-feira (26) em alta, refletindo a crescente preocupação do mercado com a redução da oferta global.
O principal fator por trás da valorização é o desempenho abaixo do esperado das chuvas de monções na Índia, um dos maiores produtores e exportadores da commodity no mundo.
Dados do Departamento Meteorológico da Índia apontam que, até 26 de junho, o volume de precipitações acumuladas estava 42% inferior à média histórica para o período.
Paralelamente, o Ministério de Ciências da Terra indiano alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca registrada no país nos últimos 11 anos.
O cenário ganhou ainda mais relevância após a confirmação da atuação do fenômeno climático El Niño pela Agência Meteorológica do Japão.
O evento costuma alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras de cana-de-açúcar, afetando países como Índia, Brasil e Tailândia, considerados fundamentais para o abastecimento do mercado internacional.
Segundo Anatoly Tikhonov, diretor do Centro Internacional de Negócios Agropecuários e Segurança Alimentar da Academia Presidencial Russa, os efeitos do El Niño podem reduzir a produção indiana de açúcar entre 3 milhões e 8 milhões de toneladas. Caso essa projeção se confirme, a Índia poderá suspender completamente suas exportações, diminuindo ainda mais a oferta global.
Na avaliação do especialista, uma queda simultânea na produção indiana e eventuais limitações para ampliar rapidamente o processamento da safra brasileira podem provocar uma pressão adicional sobre os preços internacionais.
Esse movimento também poderá refletir no custo de diversos alimentos industrializados que utilizam açúcar como ingrediente, com estimativas de aumento entre 10% e 15%.
A Índia já havia determinado a suspensão das exportações de açúcar até 30 de setembro. Para analistas do setor, a combinação entre restrições comerciais e condições climáticas desfavoráveis mantém o mercado em estado de atenção, aumentando a volatilidade das cotações e reforçando as incertezas para os próximos meses.
Especialistas avaliam que a evolução das condições climáticas nas principais regiões produtoras será determinante para o comportamento do mercado global do açúcar ao longo da segunda metade do ano, influenciando tanto a oferta da commodity quanto seus preços internacionais.
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