A principal moeda do planeta está enfraquecendo meses após conquistar recordes notáveis. Em setembro, o dólar atingiu a máxima ante o euro e a libra esterlina.
À época, houve uma razão clara: a taxa de juros americana.
No ano passado, o Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos – elevou sua taxa sete vezes. A medida visou controlar a inflação e teve como efeito secundário a disparada do dólar.
A renda fixa americana passou a ser rentabilíssima, principalmente durante uma guerra que enfraquece a economia europeia e o euro.
Mas se o juro americano permanece elevado e a guerra na Ucrânia não acaba, por que o dólar cai?
O índice USDX, que compara o dólar a uma cesta de moedas, encerrou a 114,11 no dia 27 de setembro do último ano. Pouco mais de seis meses depois, o USDX fechou a quase 100.
Hoje, uma menor inflação nos EUA diminui a expectativa de aumento da taxa de juros.
Inflação, Juros e Dólar em 2008
Há 15 anos, a crise financeira de 2008 diminuiu o crescimento econômico global, elevou o desemprego e depreciou o dólar. Naquele ano, o Federal Reserve baixou a taxa de juros de 4,25% para 0,25% para estimular a tomada de empréstimos, o investimento e, por conseguinte, a atividade econômica.
Ainda em 2008, os investidores tiveram sua confiança no dólar abalada, acentuando a desvalorização.
O Extremo Caso da Argentina
A situação econômica da Argentina é grave há décadas. O dólar, que valia um peso durante os anos 1990 — aproximadamente o mesmo que o real — hoje compra 400 pesos nas ruas de Buenos Aires.
A inflação supera 100% ao ano e a baixa confiança no governo e na economia perfaz outro fator importante. Para piorar, a alta nos juros americanos afasta ainda mais o capital estrangeiro da Argentina.
Japão e o Iene
A economia japonesa é a terceira maior do mundo, atrás apenas dos EUA e China, e está estagnada desde os anos 1990, com raríssimas exceções.
Para aquecê-la, o Banco Central do Japão compra títulos públicos, injetando dinheiro na economia, e mantém a taxa de juros em território negativo.
No ano passado, o iene tocou o nível mais baixo há décadas em comparação ao dólar.
Teoria Econômica
Inflação baixa tende a valorizar a moeda local, enquanto inflação alta traz desvalorização.
Mas há exceções.
Quando um país apresenta baixa inflação devido à crescimento econômico insatisfatório, os investidores podem perder passar vender a moeda, causando uma desvalorização. Outro caso ocorre quando a baixa inflação leva o Banco Central a cortar os juros para aquecer a economia.
Como mencionado, um corte na taxa de juros significa menor renda fixa, podendo enfraquecer a moeda.
Desvalorização e as Exportações
Uma moeda desvalorizada é mais barata em comparação às outras, ficando os produtos do país também mais baratos no comércio internacional. Portanto, a depreciação pode alavancar a produção doméstica, voltada ao exterior. Pelo lado negativo, os produtos importados ficam caros, o que pode elevar a inflação.
Vale lembrar que uma desvalorização cambial pode gerar tensão entre países. Segundo a acusação de manipulação cambial, um país desvaloriza sua moeda de propósito para colher os benefícios vistos neste artigo.
Em 2008, a crise bancária americana levou o euro à sua máxima de 1,6xxx contra o dólar. Estamos longe dessa cotação, mas a tendência é de queda para a moeda dos EUA.
Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











