O preço do querosene de aviação (QAV) voltou a subir e deve aumentar a pressão sobre os custos das companhias aéreas brasileiras. A Petrobras reajustou, em média, em 11,76% o valor do combustível vendido às distribuidoras nas refinarias da empresa. O novo preço entrou em vigor nesta quinta-feira (1º).
Com a alta, o valor médio do litro passou de R$ 5,585 em setembro para R$ 6,242 em outubro, uma diferença de R$ 0,657 por litro. Os preços podem variar conforme a refinaria. Pelo modelo previsto nos contratos de fornecimento, os valores são atualizados no primeiro dia de cada mês.
O QAV é utilizado principalmente por aviões e helicópteros e representa uma parcela importante das despesas das empresas aéreas. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já respondia por 36% das despesas das companhias em 2023.
Guerra no Oriente Médio afeta mercado de petróleo
A Petrobras relaciona a sequência de reajustes do QAV aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo e derivados. A instabilidade provocou problemas logísticos e aumentou as preocupações em relação à oferta mundial de combustíveis.
O preço médio do QAV em outubro está 74% acima do registrado em 1º de março, quando o litro custava R$ 3,592. A data ocorreu um dia após o início dos ataques militares de Estados Unidos e Israel contra o Irã, segundo a Agência Brasil.
Um dos principais pontos de atenção durante o conflito foi o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada ao sul do Irã e utilizada para o transporte internacional de petróleo e gás. Antes da guerra, cerca de 20% da produção mundial desses produtos passava pela região. A redução da oferta disponível contribuiu para pressionar as cotações do petróleo.
QAV aumenta peso nas despesas das aéreas
O aumento do combustível elevou ainda mais os gastos das companhias aéreas. Em junho, a Abear informou que as empresas brasileiras já haviam desembolsado R$ 3,8 bilhões além do previsto com QAV desde o início da guerra no Oriente Médio.
De acordo com a Agência Brasil, antes do conflito o combustível representava cerca de 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Após a escalada das tensões, a participação passou de 45%, conforme estimativa da Abear.
A trajetória dos preços, porém, não ocorreu de forma contínua. O QAV chegou a registrar reduções em junho e julho, em um período de expectativa sobre uma possível aproximação entre Estados Unidos e Irã. A partir de agosto, no entanto, os preços voltaram a subir, com novas altas em setembro e outubro.
Em maio, a Petrobras também autorizou as distribuidoras a parcelarem o reajuste, medida adotada para reduzir o impacto imediato da elevação dos custos sobre as empresas do setor.
Como o combustível chega aos aeroportos
O QAV comercializado pela Petrobras pode ser produzido nas próprias refinarias da companhia ou adquirido no exterior. Depois, o combustível é vendido às distribuidoras, responsáveis pelo transporte e pela comercialização nos aeroportos.
Essas empresas fornecem o produto para companhias aéreas, outros consumidores e revendedores. A Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção nacional de QAV, mas o mercado é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas na produção e importação do combustível.
Preço acompanha mercado internacional
Mesmo sendo um dos grandes produtores de petróleo, o Brasil não define os preços dos derivados apenas com base nos custos de produção nacional. Petróleo e derivados são commodities negociadas internacionalmente, e fatores como oferta, demanda, conflitos e dificuldades de transporte podem influenciar os valores praticados no país.
A nova alta do QAV, portanto, ocorre em um cenário de pressão sobre o mercado internacional de petróleo e acrescenta mais um componente aos custos das companhias aéreas brasileiras. O impacto sobre as tarifas cobradas dos passageiros dependerá também de outros fatores que influenciam a formação dos preços das passagens.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











