Enquanto a OSX Brasil tenta reerguer-se de uma dívida de R$ 400 milhões em sua segunda recuperação judicial, um grupo de credores quirografários — muitos deles fundos de private equity, especializados em compra de dívidas a preços aviltados — move-se nos bastidores para assumir o controle da empresa.
O alvo: os R$ 3,2 milhões de m2 da OSX no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), avaliados em R$ 2,3 bilhões e a chances de vender o ativo com lucros estratosféricos. Trata-se de uma posição estratégica no porto de 5ª geração, um dos maiores da América Latina.
O jogo dos “abutres” do mercado secundário
O plano de recuperação judicial revela que parte dos credores quirografários — detentores de dívidas sem garantia — adquiriram seus créditos em operações opacas, pagando menos de 30% ou mais de 90% do valor original.
Esses fundos, conhecidos como “abutres”, são especializados em explorar empresas em crise: compram dívidas depreciadas, pressionam por deságios em planos de recuperação e, após assumirem o controle, vendem os ativos a preço de ouro.
Na OSX, a estratégia inclui a conversão de dívidas em ações e a participação em um polêmico “Leilão Reverso”, que permite a compra de créditos com descontos de até 78%.
A armadilha do leilão reverso
O mecanismo do Leilão Reverso, detalhado no plano, funciona como um convite à especulação: credores oferecem descontos progressivos sobre seus créditos para receber pagamentos antecipados. Quem propõe o maior desconto ganha.
Na prática, fundos com caixa podem comprar posições estratégicas na dívida da OSX por centavos, tornando-se players-chave nas assembleias de credores.
Um exemplo citado no documento é a aquisição de créditos de R$ 150 milhões por menos de R$ 35 milhões por um fundo não identificado — operação que, segundo fontes, envolve ligações com a Prumo Logística, controladora da Porto do Açu (PdA).
A guerra contra a Porto do Açu
A OSX acusa a PdA, controlada pela Prumo, de sabotar sua recuperação por uma década. Em 2016, a PdA teria bloqueado um contrato de R$ 200 milhões com a Nitshore Engenharia para priorizar sua subsidiária DOME Serviços.
Agora, a mesma Prumo estaria financiando indiretamente os credores quirografários para enfraquecer a OSX e apropriar-se do Porto do Açu. “É um backdoor para tomar o controle sem pagar pelo ativo”, denuncia um executivo do grupo.
O risco da desnacionalização
Se os credores quirografários prevalecerem, a OSX poderá ser desmembrada, e seu cais — um dos mais profundos do Brasil, capaz de receber navios de grande porte — cairia nas mãos de grupos estrangeiros.
Dois fundos de hedge dos EUA já manifestaram interesse, segundo relatórios do mercado. A justificativa é a valorização do Porto do Açu como rota de exportação de petróleo e grãos, com potencial de triplicar de valor em cinco anos.
O silêncio de Eike e o futuro da OSX
Eike Batista, hoje fora do controle, observa a disputa à distância. Seu legado, porém, pesa: a OSX ainda carrega o estigma de ser “herdeira da corrupção”, o que dificulta parcerias.
Enquanto isso, a nova diretoria tenta salvar a empresa com contratos de armazenagem de soja e um projeto de expansão do cais. Mas, sem frear a investida dos credores especulativos, a OSX pode virar mais um capítulo na história da espoliação de ativos brasileiros.
O plano prevê pagamento de 12 parcelas a trabalhadores e 50 parcelas a quirografários, mas 60% dos credores já aderiram ao PSA (Acordo de Apoio), sinalizando apoio aos fundos.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











