Após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses políticos e avanços graduais, Mercosul e União Europeia formalizaram neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, um acordo de livre comércio considerado histórico.
A assinatura do tratado representa a aproximação entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo e abre caminho para a integração de um mercado estimado em cerca de 720 milhões de pessoas, com Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões.
A cerimônia foi realizada na capital paraguaia, país que ocupa a presidência temporária do Mercosul, e reuniu autoridades da América do Sul e da Europa. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do evento por compromissos de agenda.
Segundo o chanceler brasileiro, a conclusão do acordo simboliza a confiança dos países envolvidos no diálogo internacional, na democracia e no fortalecimento do multilateralismo.
Em seu discurso, Mauro Vieira afirmou que o tratado surge em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, instabilidade econômica e avanço de políticas protecionistas. Para ele, o entendimento entre Mercosul e União Europeia representa uma resposta a esse contexto, ao reafirmar a importância da cooperação internacional e de regras claras para o comércio global. O ministro também citou o presidente Lula, destacando que o acordo demonstra a capacidade do mundo democrático de promover desenvolvimento e prosperidade compartilhada.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anfitrião da solenidade, classificou o momento como um marco histórico e ressaltou o papel desempenhado pelo Brasil ao longo das negociações.
Segundo ele, o tratado une duas regiões estratégicas da economia global e reflete a visão de líderes do Mercosul que apostaram na integração como instrumento de crescimento e desenvolvimento sustentável. Peña destacou ainda a atuação de Lula como um dos principais articuladores do processo ao longo dos anos.
Representando a União Europeia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo estabelece a maior zona de livre comércio já criada. Para ela, o pacto envia uma mensagem clara ao mundo ao priorizar parcerias duradouras, cooperação e abertura econômica, em contraposição a barreiras comerciais e políticas de isolamento. Von der Leyen ressaltou que o tratado fortalece os laços entre Europa e América do Sul em um momento decisivo para a economia internacional.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também destacou o caráter estratégico do acordo, afirmando que ele simboliza uma defesa do comércio livre, do multilateralismo e do respeito ao direito internacional. Segundo Costa, a iniciativa demonstra uma escolha consciente pela cooperação entre regiões, em um cenário global cada vez mais marcado por disputas econômicas e políticas.
Além de Brasil e Paraguai, participaram da cerimônia representantes da Argentina, Bolívia e Uruguai, reforçando o caráter regional do compromisso firmado. Com a assinatura concluída, o acordo entra agora na fase de ratificação, que inclui a aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul.
A expectativa do governo brasileiro é que, superados os trâmites legislativos, a implementação comece ainda no segundo semestre deste ano.
Se ratificado, o tratado tende a redefinir as relações comerciais entre os dois blocos, ampliando oportunidades de exportação, investimentos e cooperação econômica, além de consolidar uma das maiores áreas de livre comércio já estabelecidas no cenário internacional.
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