Mercosul e EFTA selam acordo comercial histórico: exportações industriais terão acesso ampliado a países de alta renda
Após oito anos de negociações, o Mercosul concluiu oficialmente um acordo comercial com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), bloco econômico composto por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (2) durante a 66ª Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, Argentina.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, comemorou o avanço:
“Depois de Singapura, em 2023, e União Europeia, em 2024, o Mercosul finalizou agora suas negociações com a EFTA, bloco que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia. Um mercado de elevada renda, que garantirá acesso facilitado a 100% de nossas exportações industriais”, afirmou. “Foram 8 anos de trabalho duro, mas o resultado mostra que o diálogo é o caminho para estimularmos nossa economia, gerando emprego e renda.”
O Mercosul é formado atualmente por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão.
Um mercado pequeno em população, gigante em renda
Criada em 1960, a EFTA representa uma população de 15 milhões de pessoas, mas com Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 1,4 trilhão. O destaque está no PIB per capita, com Liechtenstein ocupando a segunda posição mundial (US$ 186 mil), seguido por Suíça (US$ 104,5 mil), além de Noruega e Islândia, que também estão entre as nações mais ricas do planeta.
“O mercado de serviços da EFTA é um dos maiores do mundo. Em 2024, o bloco importou US$ 284 bilhões em serviços. Se fosse um país, seria o 9º maior importador global, à frente de potências como Índia, Japão, Itália, Coreia do Sul e Canadá”, destacou o governo brasileiro em nota oficial.
Do lado das exportações, a EFTA também ocupa o 9º lugar entre os maiores exportadores mundiais de serviços, com US$ 245 bilhões em 2024.
O que muda para o Brasil e o Mercosul
O acordo promete redução de tarifas e barreiras comerciais, com foco na ampliação das exportações industriais e de serviços, setores estratégicos para os países do Mercosul. Além disso, representa uma abertura significativa para produtos sul-americanos em mercados de alto poder aquisitivo, o que pode impactar positivamente a geração de empregos e o crescimento do PIB.
O setor industrial brasileiro, em especial, pode se beneficiar com a maior previsibilidade e competitividade nos mercados europeus. Produtos com valor agregado terão melhores condições de entrada nos países da EFTA, que já se destacam pela demanda sofisticada e estável.
Ratificação ainda será necessária
Apesar da conclusão técnica das negociações, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto no Mercosul quanto na EFTA. Só após esse processo ele entrará efetivamente em vigor.
Presidência brasileira no Mercosul
Durante a cúpula em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou das discussões com os demais líderes do bloco. O Brasil assumirá a presidência pro tempore do Mercosul pelos próximos seis meses, período em que poderá coordenar os próximos passos para a implementação do acordo com a EFTA e de outras iniciativas de integração regional e internacional.
Perspectiva de integração internacional
Com este novo acordo, o Mercosul reforça sua estratégia de diversificação de parceiros comerciais. A aproximação com mercados de alto valor, como a EFTA, complementa o interesse estratégico do bloco em firmar parcerias além de suas fronteiras tradicionais.
O desafio, agora, será garantir a efetiva internalização dos compromissos assumidos, equilibrando os interesses industriais, agrícolas e de sustentabilidade dos países-membros.
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