Transformar a vida de mulheres em situação de vulnerabilidade por meio da capacitação profissional e do empreendedorismo é a missão do Instituto da Providência. O projeto Mulher Potência Empreendedora oferece cursos nas áreas de gastronomia, moda e beleza, combinados com mentoria especializada, orientações de mercado e acompanhamento socioemocional das participantes.
Entre os casos de sucesso, está Bruna Mariano. Antes de ingressar no projeto, ela morava na casa da irmã e não possuía renda própria. Encaminhada por uma assistente social, Bruna se inscreveu sem ter clareza sobre qual carreira seguir. Hoje, ela é proprietária de um salão de tranças, atua como instrutora na área e conquistou a própria casa.
“A menina que chegou ao instituto foi acolhida e, com a força e tudo que me ensinaram, vivi a virada de chave da vida. Tudo que conquistei foi através do instituto e das pessoas que tornam esse projeto real, mostrando que podemos sair do nada e conquistar nosso espaço”, relata.
Outra história inspiradora é a de Cristina Gomes, que após capacitação em moda criou sua marca de bolsas e acessórios sustentáveis, garantindo a principal renda da família. Com o marido desempregado e dois filhos, Cristina dependia de programas assistenciais. “Enfrento desafios por ser mulher e mãe, mas nunca deixei de empreender. Toda minha renda familiar vem do que faço, e jamais poderei pagar ao Instituto da Providência pela mão amiga que recebi”, afirma.
O projeto atende mulheres com renda familiar per capita abaixo da linha da pobreza extrema, entre 18 e 60 anos, residentes em áreas de vulnerabilidade social. Desde 2022, mais de 1,7 mil mulheres foram beneficiadas, recebendo também capital semente de R$ 1,5 mil para impulsionar seus negócios.
Dados de 2024 mostram que 80% das participantes são chefes de família, 76% têm mais de 30 anos, 79% se autodeclaram negras ou pardas e 54% não concluíram o ensino médio. Até o momento, o projeto gerou 684 novos negócios e concedeu 364 recursos para capital de giro.
Para Maria Garibaldi, diretora executiva do Instituto da Providência, a iniciativa surgiu a partir da experiência acumulada no trabalho com mulheres em vulnerabilidade. “Quando entendemos o papel da mulher na sociedade — como chefe de família e responsável — conseguimos estruturar um suporte completo”, explica.
Maria ressalta que a vulnerabilidade vai além da questão financeira. Muitas mulheres enfrentam insegurança em casa, violência doméstica e dificuldades no território. Por isso, o projeto oferece suporte técnico, emocional e social. “A autonomia financeira empodera a mulher”, conclui, destacando o impacto transformador da iniciativa.
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