Representantes da indústria brasileira de máquinas e equipamentos entregaram ao governo federal, nesta terça-feira (21), uma série de propostas para reduzir os impactos da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
As sugestões foram apresentadas ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante reunião com integrantes do setor.
Entre as principais reivindicações estão a redução das taxas de juros do programa Brasil Soberano, a flexibilização das regras de acesso ao benefício e a retirada da exigência de manutenção dos empregos para empresas que aderirem à iniciativa.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, o segmento exportava cerca de US$ 4 bilhões por ano para o mercado norte-americano antes da adoção das novas tarifas e deve ser um dos mais afetados pela medida.
Velloso afirmou que o momento exige soluções que ofereçam maior segurança às empresas diante da instabilidade nas relações comerciais com os Estados Unidos. Para ele, a obrigatoriedade de preservar postos de trabalho pode impedir que diversas companhias utilizem o programa de apoio.
“É um salto no escuro. Muitas empresas deixam de entrar no programa e beneficiar o país com exportações porque não sabem o que pode acontecer amanhã, diante da imprevisibilidade do governo norte-americano. A exigência de manter empregos acaba deixando muitas empresas de fora”, afirmou.
Além das alterações no Brasil Soberano, a entidade propôs mudanças nos critérios de elegibilidade, como revisão do período de referência utilizado pelo programa e ampliação do público apto a receber os benefícios.
Setor pede crédito e alívio tributário
Outra demanda apresentada ao governo foi a criação de medidas emergenciais semelhantes às adotadas em períodos de crise, como durante a pandemia de Covid-19 e após as enchentes no Rio Grande do Sul.
Entre as sugestões estão a oferta de linhas de crédito com condições facilitadas e o adiamento do recolhimento de tributos federais, incluindo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS/Pasep, Cofins e contribuição previdenciária patronal.
Segundo Velloso, o objetivo é garantir capital de giro para que as empresas consigam atravessar o período de maior pressão sobre as exportações.
Diálogo e novos mercados
O presidente da Abimaq também defendeu que o Brasil mantenha as negociações diplomáticas com os Estados Unidos, descartando a adoção de medidas de retaliação comercial neste momento.
Ao mesmo tempo, a entidade considera essencial ampliar a abertura de novos mercados internacionais em parceria com a ApexBrasil. A expectativa é que a diversificação dos destinos das exportações ajude a compensar parte das perdas no mercado norte-americano.
De acordo com a associação, mesmo com a redução das vendas para os Estados Unidos, a expansão para outros países poderá permitir um crescimento de aproximadamente 13% nas exportações do setor ao longo deste ano.
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