O mercado financeiro brasileiro encerrou setembro com alta da Bolsa e leve queda do dólar. No último pregão do mês, realizado nesta quarta-feira (30), o Ibovespa avançou 1,37% e fechou aos 186.340,46 pontos. Com o resultado, o principal índice da B3 acumulou valorização de 5,03% em setembro.
O dólar comercial recuou 0,76% no dia, encerrando a sessão cotado a R$ 5,174. No acumulado do mês, a moeda norte-americana caiu 0,15%. O movimento dos ativos brasileiros ocorreu em meio à divulgação de novos dados de inflação dos Estados Unidos e às expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve.
Inflação dos EUA influencia os mercados
O índice de preços de gastos com consumo, conhecido como PCE, registrou alta de 0,3% em agosto. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês. Na comparação com agosto de 2025, o PCE subiu 3,4%, enquanto o núcleo teve alta de 3%.
Os números vieram abaixo das projeções citadas pelo mercado para a variação mensal e ajudaram a reduzir a pressão sobre os juros americanos. A divulgação também provocou queda inicial nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, movimento que favoreceu ativos de mercados emergentes.
Apesar do comportamento da inflação, a atividade econômica americana continua sendo acompanhada de perto. Os gastos dos consumidores aumentaram 0,9% em agosto, enquanto o consumo real cresceu 0,6%, segundo o Departamento de Análise Econômica dos EUA (BEA).
Dólar fecha setembro praticamente estável
O dólar chegou a ser negociado a R$ 5,164 durante a sessão, antes de encerrar o dia em R$ 5,174. No terceiro trimestre, a moeda acumulou alta de 0,23%, enquanto, nos nove primeiros meses de 2026, registra queda de 5,75%.
O comportamento do câmbio foi influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelos movimentos de fechamento de mês e pelo fluxo de recursos para o mercado brasileiro.
Ibovespa acumula alta de 5,03%
O Ibovespa oscilou entre 183.879,71 e 187.834,97 pontos durante o pregão. A alta de 1,37% no último dia consolidou um avanço de 5,03% em setembro.
No terceiro trimestre, o índice acumulou valorização de 8,32%. Considerando os nove primeiros meses do ano, a alta chegou a 15,65%.
Segundo a Agência Brasil, ações de bancos e de empresas ligadas à economia doméstica estiveram entre os destaques da sessão. O ambiente externo também contribuiu para a procura por ativos brasileiros.
Fluxo estrangeiro ajuda a Bolsa
O movimento dos investidores estrangeiros também foi um dos fatores acompanhados durante o mês. Até 28 de setembro, o saldo líquido de recursos estrangeiros direcionados ao mercado acionário brasileiro estava positivo em aproximadamente R$ 9,57 bilhões.
O resultado representa uma mudança em relação a agosto, quando houve retirada de recursos estrangeiros da Bolsa. O fluxo externo é monitorado pelos investidores porque pode influenciar a liquidez e o comportamento dos principais ativos negociados na B3.
Petróleo sobe com tensões no Oriente Médio
No mercado internacional, o petróleo também teve uma sessão de alta. O Brent para novembro fechou a US$ 103,50 por barril, avanço de 91 centavos. Já o WTI para novembro terminou o dia a US$ 90,42, com alta de US$ 1,04.
As cotações foram influenciadas pelas dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas sobre o fluxo de petróleo no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte mundial da commodity, continua entre os pontos observados pelo mercado.
Ao mesmo tempo, a retomada de embarques por rotas alternativas, como o porto saudita de Yanbu, vem ajudando a recuperar parte das exportações da região. Segundo a Reuters, as exportações de petróleo do Golfo apresentaram recuperação em setembro, embora ainda permaneçam afetadas pelas interrupções provocadas pelo conflito.
Com o resultado de setembro, o mercado brasileiro encerrou o terceiro trimestre com valorização do Ibovespa e pequena queda do dólar no mês. No exterior, os dados de inflação dos Estados Unidos e as tensões envolvendo o mercado de petróleo continuam entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
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