Em entrevista ao programa Direto da Redação, conduzido pelo jornalista Roberto Barbosa nesta terça-feira (1º), o economista Aurélio Valporto, presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), levantou críticas contundentes à compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
A operação, anunciada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e celebrada por parte da mídia, foi classificada por Valporto como “suspeita” e “sui generis”, com indícios de encobrir um esquema em formato de pirâmide financeira.
Valporto destacou que o Banco Master é visto no mercado como um “ativo podre”, com um rombo estimado em R$ 30 bilhões, mantido artificialmente por meio de operações que ele compara a um esquema Ponzi.
“O banco emite CDBs [Certificados de Depósito Bancário] para pagar dívidas antigas com novos captadores, enquanto seus ativos não geram receita real. É tipo uma pirâmide, onde o passivo cresce sem lastro”, explicou.
O economista questionou a lógica do BRB — cujo principal acionista é a população do DF — pagar R$ 2 bilhões por um banco que, em tese, tem valor negativo.
“Se o Master está quebrado, o dono deveria pagar para alguém assumi-lo, não o contrário. Isso parece mais um resgate disfarçado”, afirmou.
Falta de transparência acende alerta
Valporto exigiu que o BRB e o Banco Central realizem uma due diligence (auditoria detalhada) e divulguem publicamente os estudos que justificam o valor da transação.
“Onde estão os documentos que comprovam que o Master vale R$ 2 bilhões? Se é um bom negócio, mostrem às claras. Do contrário, a população do DF está bancando uma operação com cara de corrupção”, disse.
Provocado pelo jornalista Roberto Barbosa, ele concordou com a comparação inversa a situação aos anos 1990, quando estados venderam bancos públicos rentáveis a preços irrisórios, como o caso do BANERJ (RJ), adquirido pelo Itaú.
“Agora estamos vendo o inverso: um banco estatal comprando um privado falido, sem explicação técnica”, criticou.
Outro ponto levantado foi a elevada taxa de juros paga pelo Master para captar recursos, indicativo de desespero para manter a liquidez. “Isso só faz sentido se os ativos são ‘podres’ e não geram retorno. É um ciclo vicioso que sustenta a pirâmide”, alertou.
Chamado ao Banco Central
Valporto pediu intervenção regulatória: “O Bacen precisa auditar o Master urgentemente. Se há um esquema de pirâmide, ele não pode ser legitimado com dinheiro público”. O caso, segundo ele, ainda renderá capítulos: “Teremos pano para manga, mas a população não pode pagar a conta desse risco”.
A polêmica surge em meio a elogios de setores da mídia alinhadas ao GDF (Governo do Distrito Federal) pela aquisição, enquanto o mercado financeiro e entidades como a Abradin pressionam por transparência.
O silêncio do BRB sobre os detalhes da operação alimenta especulações sobre motivações políticas e possíveis irregularidades.
A Abradin promete levar o caso a órgãos de controle, como o TCU e o MPF, caso o BRB não apresente a due diligence exigida. Enquanto isso, investidores aguardam respostas para evitar que o governo do DF repita erros históricos de intervenções estatais em instituições financeiras fragilizadas.










