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Governo avalia retomar imposto sobre compras internacionais de até US$ 50

Dario Durigan afirma que aumento das importações será monitorado e que cobrança poderá voltar caso a indústria brasileira seja prejudicada.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
27/07/2026 - 14:51
em Economia
Governo poderá retomar imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 se aumento das importações prejudicar empregos e empresas brasileiras.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O desempenho da indústria nacional será determinante para a permanência da isenção concedida às compras internacionais de pequeno valor.

Nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o governo poderá restabelecer a cobrança conhecida como “taxa das blusinhas” se identificar prejuízos à produção e aos empregos no Brasil.

A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco. Segundo o ministro, a entrada de mercadorias estrangeiras aumentou após a retirada do imposto, mas o governo ainda avalia os efeitos dessa mudança.

O Ministério da Fazenda acompanha o volume das operações realizadas por plataformas internacionais e poderá sugerir uma nova alteração tributária caso os dados indiquem concorrência desigual entre produtos importados e nacionais.

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Imposto de 20% foi retirado em maio

A cobrança havia começado em 2024 e atingia compras internacionais de até US$ 50 realizadas por empresas participantes do programa Remessa Conforme.

A alíquota de 20% foi criada para reduzir a diferença tributária entre mercadorias vendidas por plataformas estrangeiras e produtos fabricados ou comercializados por empresas brasileiras.

Em maio de 2026, o governo decidiu zerar novamente o imposto. A mudança provocou críticas de representantes da indústria, preocupados com o aumento da concorrência dos produtos de baixo valor enviados do exterior.

A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a tributação contribuiu para preservar 135 mil postos de trabalho e manter aproximadamente R$ 20 bilhões em atividade econômica.

Governo acompanha entrada de mercadorias

Durigan explicou que o período atual funciona como uma etapa de avaliação. O objetivo é verificar como o fim da cobrança afeta o volume de importações, a produção industrial e o comércio brasileiro.

Os primeiros dados, segundo o ministro, apontam crescimento na entrada desses produtos.

Como as operações são registradas no sistema do Remessa Conforme, o governo consegue acompanhar a quantidade e o valor das compras realizadas pelos consumidores brasileiros.

Caso seja identificado um aumento fora dos padrões esperados, acompanhado de perda de competitividade das empresas nacionais, a Fazenda poderá encaminhar ao presidente da República uma proposta para restabelecer a tributação.

Retomada dependerá dos impactos econômicos

A eventual volta do imposto não foi anunciada como uma decisão já tomada. O governo pretende analisar os indicadores antes de promover uma nova mudança.

Entre os fatores considerados estarão os efeitos sobre empregos, produção, arrecadação, vendas do comércio nacional e competitividade da indústria.

Durigan afirmou que a política poderá ser revista se as importações provocarem falta de isonomia entre as mercadorias estrangeiras e aquelas produzidas no país.

O debate envolve principalmente plataformas internacionais que vendem roupas, acessórios, eletrônicos e outros produtos de baixo valor aos consumidores brasileiros.

Gastos obrigatórios limitam investimentos

Durante a entrevista, o ministro também defendeu alterações nas regras que determinam parte das despesas obrigatórias do governo federal.

Esse grupo inclui compromissos previstos em lei, como pagamentos de servidores, aposentadorias e programas com recursos vinculados.

Já as despesas discricionárias podem ser distribuídas conforme as prioridades da administração, incluindo investimentos, obras e manutenção dos serviços públicos.

Durigan alertou que o crescimento contínuo dos gastos obrigatórios reduz o espaço disponível para decisões governamentais e novos investimentos.

Segundo ele, a revisão dessas regras é necessária para ampliar a capacidade de financiar projetos e melhorar programas públicos.

Orçamento pode perder margem de decisão

Na avaliação do ministro, a falta de mudanças poderá deixar uma parcela cada vez menor do Orçamento sob controle direto dos próximos governos.

Com a maior parte das receitas comprometida por obrigações legais, presidentes futuros teriam dificuldade para executar investimentos ou criar novas políticas públicas.

Durigan defendeu transformações internas capazes de controlar o crescimento das despesas obrigatórias sem comprometer o funcionamento do Estado.

O objetivo seria abrir espaço para gastos que possam elevar a qualidade dos serviços públicos e apoiar o desenvolvimento econômico.

Ministro critica tarifas norte-americanas

As medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros também foram abordadas na entrevista.

Durigan classificou as tarifas como uma forma de interferência externa e afirmou que as cobranças não possuem justificativa adequada.

Apesar do tom crítico, o ministro defendeu a continuidade das negociações entre os dois governos.

Ele informou que pretende discutir o assunto com o ministro das Finanças dos Estados Unidos durante a próxima reunião do G20.

A estratégia brasileira será manter os canais de diálogo abertos na tentativa de reduzir as barreiras aplicadas aos produtos nacionais.

Decisões dependerão dos indicadores

O Ministério da Fazenda deverá acompanhar simultaneamente a evolução das compras internacionais, a situação das despesas obrigatórias e as negociações comerciais com Washington.

No caso da “taxa das blusinhas”, qualquer mudança dependerá dos efeitos observados sobre a indústria, o comércio e o mercado de trabalho.

Até que uma nova decisão seja tomada, as compras internacionais de até US$ 50 permanecerão sem a cobrança de 20% mencionada pelo governo.

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Tags: #ComercioEletronico#ComprasInternacionais#DarioDurigan#EconomiaBrasileira#Empregos#EstadosUnidos#GastosObrigatórios#Importações#indústriabrasileira#MinistérioDaFazenda#NotíciasDeEconomia#OrçamentoFederal#RemessaConforme#tarifascomerciais#TaxaDasBlusinhas
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