Manter as contas em dia tem se tornado um desafio cada vez maior para os brasileiros. Uma pesquisa da Serasa, divulgada nesta segunda-feira (9), revela que os gastos mensais médios da população alcançam R$ 3,52 mil, valor próximo a dois salários mínimos.
O levantamento analisou despesas registradas entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, traçando um panorama do custo de vida e dos hábitos de consumo no país.
O estudo avaliou despesas em áreas como moradia, alimentação, saúde e educação e apontou que 70% dos entrevistados perceberam aumento no custo de vida ao longo dos últimos 12 meses. Entre os gastos considerados mais difíceis de administrar estão as compras de supermercado, as contas fixas e os custos com moradia, que juntos consomem a maior fatia do orçamento familiar.
Esses itens essenciais representam cerca de 57% das despesas mensais. Os gastos com aluguel, condomínio ou financiamento imobiliário comprometem, em média, R$ 1,1 mil por mês. Já as compras de supermercado somam aproximadamente R$ 930 no orçamento das famílias.
Outras despesas têm participação menor no total mensal. Segundo a pesquisa, os brasileiros gastam em média R$ 620 com educação, enquanto os custos com saúde e atividades físicas giram em torno de R$ 540 por mês.
Para o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os dados refletem a realidade enfrentada pela maioria das famílias. “Alimentação e habitação ocupam uma parcela elevada do orçamento por serem despesas essenciais.
Já saúde e educação contam com oferta pública, o que ajuda a reduzir o impacto desses gastos no orçamento doméstico”, explicou.
O economista Gilberto Braga, professor do IBMEC, destaca que o planejamento financeiro é fundamental para enfrentar esse cenário. “Manter um orçamento organizado é o primeiro passo. Muitas pessoas não estruturam suas despesas por prioridade ou valor, o que dificulta o controle financeiro”, afirmou.
Apesar da importância da organização, o levantamento mostra que apenas 20% dos entrevistados consideram fácil administrar pagamentos e despesas no dia a dia.
A pesquisa ouviu mais de seis mil brasileiros, de diferentes faixas etárias, gêneros, níveis de renda e regiões do país, oferecendo um retrato amplo das dificuldades enfrentadas diante do aumento do custo de vida.
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