A construtora Gafisa voltou a ser alvo de forte disputa judicial após novas acusações envolvendo suposta blindagem patrimonial para dificultar cobranças e impedir que credores recebessem valores milionários.
As denúncias constam em ações movidas por empresas e investidores que buscam o pagamento de dívidas atribuídas à companhia. No centro do caso está o fundo Bergamo, citado nos processos como instrumento usado para proteger recursos financeiros da empresa.
De acordo com os autores das ações, a Gafisa realizava movimentações relevantes no fundo enquanto alegava dificuldades financeiras e mantinha saldo reduzido em contas bancárias passíveis de bloqueio judicial.
Uma das cobranças foi apresentada pela Polo Securitizadora, que tenta recuperar aproximadamente R$ 24 milhões. Mesmo com decisões favoráveis à penhora, a empresa informou que conseguiu bloquear apenas pequena parcela do valor durante anos de disputa judicial.
Durante a apuração patrimonial, foi identificado que a Gafisa detinha 100% das cotas do fundo Bergamo, cujo patrimônio divulgado à época superava R$ 129 milhões.
Após a descoberta, credores solicitaram acesso aos recursos vinculados ao fundo. Na sequência, o Banco Master entrou no processo alegando possuir garantia fiduciária sobre os ativos, argumento que, segundo a instituição, impediria a penhora.
Os autores da ação contestaram a justificativa e sustentaram que a operação teria sido utilizada para afastar outros credores e preservar o patrimônio da construtora.
Movimentação superior a R$ 2 bilhões
Documentos anexados aos autos apontam intensa movimentação financeira no fundo Bergamo. Em um período de três anos, segundo os registros do processo, teriam sido realizadas centenas de operações entre aplicações e resgates, somando mais de R$ 2 bilhões.
Para os credores, o volume de recursos movimentados reforça a tese de que havia capacidade financeira enquanto as dívidas permaneciam sem quitação.
Família Klabin também acionou a Justiça
Outra ação semelhante foi movida por integrantes da família ligada ao grupo Klabin.
Na ação, os autores afirmaram ter encontrado saldo praticamente zerado em contas da construtora e relataram obstáculos para acessar valores relacionados ao fundo Bergamo.
Em decisão mencionada no processo, a Justiça autorizou a penhora dos recursos e criticou a resistência da administradora do fundo em cumprir a determinação judicial.
Posicionamento da empresa
Em manifestação citada nos autos, a Gafisa informou que o litígio com uma das partes foi encerrado por meio de acordo e que a relação comercial entre os envolvidos foi retomada. A companhia também declarou que não comenta assuntos ligados a acionistas.
Caso segue repercutindo
As acusações aumentam a pressão sobre a empresa e reacendem o debate sobre o uso de estruturas financeiras para proteção patrimonial em meio a cobranças judiciais. O caso continua em andamento e pode gerar novos desdobramentos.
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