A crise financeira do grupo que controla Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill ganhou uma dimensão especialmente sensível com a recuperação judicial: cerca de R$ 70 milhões do passivo estão concentrados em fornecedores de alimentos, justamente empresas responsáveis por manter as cozinhas das redes abastecidas.
A lista de credores inclui frigoríficos, companhias de óleo, laticínios e outros insumos usados diariamente nos restaurantes. Entre os nomes aparecem JBS, Seara e Bunge. O valor faz parte de uma dívida total de aproximadamente R$ 265,2 milhões declarada pelo Grupo Gennius no processo aceito pela Justiça de São Paulo.
Esse tipo de débito preocupa porque, em uma rede de alimentação, a relação com fornecedores precisa continuar funcionando mesmo durante a reestruturação financeira. Não basta renegociar valores antigos: o grupo precisa seguir comprando carnes, óleos, laticínios e outros produtos para manter cardápios, estoques e operações em funcionamento.
A recuperação judicial dá à empresa espaço para reorganizar compromissos e negociar com os credores, mas não elimina a necessidade de manter novas relações comerciais. Fornecedores que já acumulam valores a receber podem passar a exigir prazos menores, garantias adicionais ou condições mais rígidas para continuar vendendo ao grupo.
Esse cenário também pode ter reflexos sobre as franquias. Embora as unidades franqueadas tenham estruturas jurídicas próprias, elas dependem da marca, da logística e, em muitos casos, da mesma cadeia de suprimentos. Qualquer dificuldade mais prolongada pode aumentar custos, afetar estoques e limitar a disponibilidade de determinados produtos nas lojas.
O processo envolve uma estrutura extensa, formada por restaurantes, franqueadoras, holdings e empresas de apoio. Nos próximos passos, o grupo terá de apresentar um plano detalhando como pretende reorganizar as dívidas e manter as atividades enquanto negocia com bancos, fornecedores e outros credores.
A empresa atribui a deterioração financeira a uma combinação de fatores acumulados nos últimos anos, entre eles juros elevados, aumento do endividamento, custos das operações físicas e mudanças no comportamento do consumidor. O avanço do delivery também alterou a dinâmica do negócio e trouxe novas despesas para uma operação que já trabalhava sob pressão.
As redes seguem funcionando normalmente, e a recuperação judicial não significa fechamento automático das unidades. O principal desafio agora será recuperar o equilíbrio financeiro sem comprometer justamente a cadeia que sustenta a operação diária dos restaurantes.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











