A desigualdade salarial entre homens e mulheres aumentou no estado do Rio de Janeiro, segundo dados do 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Governo Federal. A defasagem subiu de 27,25% em setembro de 2024 para 27,82% na nova edição, divulgada nesta segunda-feira (7).
Atualmente, a média salarial das mulheres fluminenses é de R$ 4.225,86, enquanto os homens recebem, em média, R$ 5.854,57. Em nível nacional, a diferença também é alta: 20,87%, com aumento de 0,18% desde o último relatório.
O recorte racial evidencia ainda mais a disparidade: mulheres negras no Brasil recebem, em média, R$ 2.864,39, contra R$ 4.661,06 das mulheres não negras — uma diferença de 38%. No Rio de Janeiro, a defasagem chega a 43,9%, com salários de R$ 3.129,36 para negras e R$ 5.582,88 para não negras.
Avanços e desafios
Apesar do cenário preocupante, o relatório traz dados positivos. A participação das mulheres negras no mercado de trabalho aumentou 18,2%, passando de 3,2 milhões para 3,8 milhões em um ano. Também houve redução no número de estabelecimentos com até 10% de mulheres negras: de 21.680, em 2023, para 20.452 em 2024.
Outro avanço foi o aumento de empresas onde a diferença salarial entre homens e mulheres é de até 5%, o que aponta maior adesão à política de equidade.
Estabilidade relativa e ocupações
Entre 2015 e 2024, a participação feminina na massa de rendimentos passou de 35,7% para 37,4%. Segundo Paula Montagner, subsecretária do MTE, essa estabilidade se deve aos salários mais baixos das mulheres, apesar do crescimento de sua presença no mercado. Em 2024, são 44,8 milhões de mulheres ocupadas, contra 38,8 milhões em 2015.
O relatório também mostra que, nas ocupações de liderança, a desigualdade persiste: diretoras e gerentes ganham 73,2% do salário dos homens; mulheres com nível superior recebem 68,5%; e as trabalhadoras de serviços administrativos ganham 79,8% dos salários masculinos.
Destaques estaduais
Os estados com menor desigualdade são Pernambuco (9,14%), Acre (9,86%), Distrito Federal (9,97%) e Piauí (10,04%). Já os maiores índices estão no Paraná (28,54%), Espírito Santo (28,53%), Santa Catarina (27,96%) e Rio de Janeiro (27,82%).
Novas ações do governo
O relatório foi lançado junto com o Guia para Negociação Coletiva da Lei de Igualdade Salarial e com o Movimento pela Igualdade no Trabalho. As medidas visam orientar empresas na negociação de salários, inclusão de mulheres e combate à discriminação no ambiente profissional.
Além disso, o governo publicou a Portaria Conjunta que institui o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Mulheres e Homens, com ações previstas até 2027 e participação de 11 ministérios.
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