Em abril deste ano, o número de desempregados no Brasil atingiu a marca de 11 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Os dados demonstram que a geração de empregos será um dos temas a ser debatidos pelos candidatos à Presidência e aos governos estaduais durante a campanha eleitoral deste ano.
A taxa de desemprego no Brasil, portanto, chegou a 9,4% em abril, uma oscilação negativa em relação, mas o governo tenta vender como agenda positiva. Para a equipe econômica do governo, esse é o menor patamar desde outubro de 2015.
Na comparação com o mesmo mês de 2021, segundo os dados, a taxa registrou queda de 4,9 pontos percentuais.
Na outra ponta, o Ipea destaca que a população ocupada em abril chegou a 97,8 milhões de trabalhadores, o maior patamar desde 2012. Em relação ao mesmo período do ano passado, a população ocupada aumentou 10,8% e, na comparação com março último, houve alta de 2,1%.
De acordo com o Ipea, a análise dos dados mostra que a expansão da ocupação tem ocorrido com a redução dos casos de covid-19 com reflexos em todas as regiões, todos os segmentos etários e educacionais e atingindo todos os setores da economia.
Mas a recuperação de vagas acontece em setores com maior informalidade e com baixa remuneração.
Há uma leve recuperação, sobretudo, nos setores que tiveram quedas mais intensas no auge da pandemia, devido às medidas de afastamento social.
Vagas no setor informal e com baixa remuneração
No primeiro trimestre deste ano, 6 dos 13 setores pesquisados apresentaram crescimento da ocupação superior a 10%, com destaque para os segmentos de alojamento e alimentação, com aumento de 32,5% na taxa de ocupação; serviços pessoais, com alta de 19,5%; e serviços domésticos, com crescimento de 19,4%.
Os dados mostram, no entanto, que ainda há uma série de desafios a serem superados no mercado de trabalho brasileiro. Mesmo diante de uma leve recuperação do emprego formal, a maior parte das novas vagas está sendo gerada nos segmentos informais da economia.
No último trimestre móvel, encerrado em abril de 2022, enquanto o montante de trabalhadores com carteira assinada avançou 11,6%, na comparação com 2021, o contingente de ocupados sem carteira cresceu 20,8%.
Mais de 4 milhões de pessoas desalentadas
O país ainda tem aproximadamente 4,2 milhões de pessoas desalentadas. O desalento refere-se àquelas pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuram emprego por achar que não vão encontrar. O contingente registrado em abril é, no entanto, o menor já apontado desde setembro de 2017. A proporção de desalentados em relação à população fora da força de trabalho recuou de 5,1% para 3,7%, entre abril de 2021 e abril de 2022.
Já os trabalhadores que se declararam subocupados em abril eram 6,4 milhões, ou seja, 6,5% do total da ocupação.
Os trabalhadores subocupados são aqueles que trabalham menos do que 40 horas semanais, tendo disponibilidade e desejando trabalhar mais. Esses dados representam queda de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2021.
O Ipea calculou as taxas com base na série trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para serem comparados, os dados foram dessazonalizados.
Trabalho remoto é uma tendência
Aproximadamente uma a cada quatro pessoas no Brasil poderia trabalhar de forma remota. Isso equivale a 20,4 milhões de pessoas. Os dados estão no documento Nota de Conjuntura do Ipea.
O contingente representa 24,1% do total da população ocupada no país. A maior parte dos trabalhadores que poderiam desenvolver as atividades de forma remota é mulher (58,3%); branca (60%); com nível superior completo (62,6%); e tem idade entre 20 e 49 anos (71,8%).
Mais da metade desses trabalhadores em teletrabalho potencial encontra-se na região Sudeste, aproximadamente 10,5 milhões. Na região Sul estão 3,6 milhões; no Nordeste, 3,5 milhões; e, no Centro-Oeste, 1,7 milhão.
Essas pessoas estão prioritariamente em áreas urbanas. No entanto, segundo o Ipea, há cerca de 650 mil pessoas em teletrabalho potencial no campo, o que corresponde a 6,4% do total de ocupados na zona rural.
O recorte por unidade federativa mostra que, enquanto o Distrito Federal apresenta teletrabalho potencial de 37,8%, no Pará esse percentual cai para menos da metade, 15,3%. Em relação às cidades, Florianópolis aparece na liderança, com cerca de 40,4% das pessoas ocupadas em regime potencial de teletrabalho.
O Ipea também estimou a massa de rendimentos dos trabalhadores e constatou que, o rendimento efetivo das pessoas ocupadas, no geral, consideradas na Pnad, supera os rendimentos habituais. Ou seja, o que os trabalhadores receberam de fato pelo trabalho, no período considerado, foi maior do que o que costumam receber.
Na análise, o Ipea utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2021. O Instituto esclarece que não existem dados oficiais de quantas pessoas no Brasil trabalham remotamente. Por isso, realizou um levantamento das atividades que poderiam ser realizadas em teletrabalho.











