A equipe econômica do governo Jair Bolsonaro explora a falsa sensação de queda nos preços, para afirmar que o país vive um estágio de deflação e controle inflacionário.
Uma simples análise nos fundamentos econômicos e na conjuntura internacional, no entanto, é suficiente para mostrar que a elevação dos juros básicos da economia, a carestia de combustíveis e o preço da energia sequestram a renda da população.
O que deveria ser destinado à compra de comida, por exemplo, em parte é drenado para pagar concessionárias de serviços públicos, que controlam serviços de energia, água, esgoto e transporte.
Ou seja, o custo elevado dos serviços consome a maior parte da renda da população brasileira, impedindo o consumo de alimentos. Com a queda de demanda, os preços dos alimentos que são medidos por índices que monitoram a cesta básica têm leves variações.
É um dilema perverso: o consumidor de baixa renda está sendo obrigado a optar por pagar energia, transporte, água e outros serviços ou comprar a cesta básica. Para conseguir equilibrar o jogo, está comendo menos. O preço não sobe e o governo faz propaganda de deflação, chegando a dizer que inflação no país é menor do que na Europa e EUA.
Neste caderno especial, Economia em Miúdos, produzido pelo Diário da Guanabara, o economista Aurélio Valporto detalha a conjuntura econômica em números e desmonta o discurso governista. O conteúdo mostra a conclusão inequívoca: a deflação brasileira é muito mais fruto da fome do que boa gestão econômica.
*Aurélio Valporto é economista e presidente da Abradin (Associação Brasileira de Investidores)
*Compartilhe o conteúdo do Diário da Guanabara.











