Em um cenário de reconfiguração das relações comerciais globais e aumento das disputas tarifárias entre grandes economias, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou que a resposta da União Europeia às medidas adotadas pelos Estados Unidos teria contribuído para intensificar as tensões no comércio internacional.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal francês Le Grand Continent, publicada na última quinta-feira (21).
Segundo o ministro, a forma como o bloco europeu reagiu às tarifas impostas durante o governo de Donald Trump teria sido precipitada, o que acabou ampliando o ambiente de conflito comercial com Washington.
Em contraste, ele destacou que o Brasil adotou uma postura mais cautelosa, baseada no diálogo e na moderação, evitando retaliações diretas.
Durigan afirmou que essa estratégia permitiu ao Brasil atravessar períodos de instabilidade sem aprofundar disputas comerciais com os Estados Unidos.
Embora o país tenha contestado oficialmente as tarifas, optou por não adotar medidas equivalentes, preservando canais diplomáticos abertos com o governo norte-americano.
O ministro também avaliou que a diferença entre a postura brasileira e a europeia esteve relacionada à capacidade de manter previsibilidade e paciência nas negociações internacionais.
Na visão dele, a tentativa da União Europeia de acelerar acordos pode ter produzido efeitos contrários, dificultando um entendimento mais estável com os Estados Unidos.
As tarifas norte-americanas citadas no período chegaram a alcançar patamar de até 50% sobre determinados produtos brasileiros, resultado da soma de uma taxa base global de 10% com sobretaxas adicionais.
As medidas entraram em vigor em 2025 e, posteriormente, passaram por ajustes ao longo de 2026, em meio a negociações e decisões que impactaram sua estrutura.
Durigan também defendeu uma estratégia de inserção internacional baseada na autonomia econômica e no aumento do valor agregado da produção nacional.
Ele ressaltou a importância de o Brasil reduzir a dependência da exportação de commodities e avançar em cadeias produtivas mais complexas, especialmente em setores industriais estratégicos.
Nesse contexto, o ministro destacou ainda a importância da atração de investimentos estrangeiros, desde que alinhados às regras internas e voltados ao desenvolvimento de competências locais. Segundo ele, parcerias internacionais são positivas quando estruturadas de forma equilibrada e com benefícios mútuos.
Durante a entrevista, Durigan também comentou o cenário político brasileiro, afirmando que o país mantém confiança em suas instituições mesmo diante de pressões externas.
Ele destacou a solidez do sistema democrático, incluindo a estrutura eleitoral e os mecanismos de regulação digital como pilares de estabilidade.
Ao abordar o ambiente político, o ministro reforçou a autonomia institucional do Brasil em contextos de tensão internacional e citou a atuação do Judiciário e das autoridades eleitorais como elementos fundamentais para a manutenção da democracia.
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