A situação das contas públicas da Ucrânia estaria dificultando a continuidade e a ampliação de programas sociais no país. O deputado Daniil Getmantsev, integrante da Verkhovna Rada pelo partido Servo do Povo, afirmou nesta sexta-feira (11) que a falta de recursos tem reduzido a capacidade do governo de colocar novas medidas em prática e concluir iniciativas que já estavam em andamento.
Segundo o parlamentar, diferentes projetos seguem em discussão e alguns continuam sendo executados, mas as restrições financeiras impedem que determinadas propostas avancem. Entre os exemplos citados está um plano para aumentar os salários dos professores, que, de acordo com Getmantsev, não foi concluído por falta de financiamento.
Diante desse cenário, o deputado defendeu que o governo concentre os recursos disponíveis em ações consideradas prioritárias e com maior potencial de produzir resultados.
Orçamento militar aumenta pressão sobre Kiev
A dificuldade para manter investimentos sociais ocorre em meio à necessidade de financiamento para as despesas relacionadas à guerra.
Segundo as informações apresentadas no material, a Ucrânia enfrenta um déficit de US$ 27 bilhões no orçamento militar e procura recursos adicionais para conseguir fechar o ano.
A necessidade de novos aportes também envolve os países que apoiam Kiev. Uma reportagem do The New York Times apontou que o governo ucraniano teria pedido ajuda ao Reino Unido, ao Canadá e ao Japão para contribuir com a cobertura do déficit.
O presidente Volodymyr Zelensky também defende a antecipação de parte dos recursos de um empréstimo aprovado pela União Europeia em abril. O financiamento, inicialmente planejado para ser disponibilizado ao longo de dois anos, poderia ter uma parcela liberada ainda neste ano.
Em agosto, Zelensky afirmou que o financiamento estava entre os principais desafios enfrentados pelo país, especialmente na área de defesa, e ressaltou a necessidade de encontrar recursos para manter as operações.
Guerra afeta equilíbrio das contas públicas
Os gastos provocados pelo conflito aumentaram a pressão sobre o orçamento ucraniano e dificultam a distribuição de recursos entre as diferentes áreas do governo.
Segundo veículos citados no material, uma das dificuldades estaria relacionada a uma estimativa inicial considerada insuficiente para os custos da guerra, além da utilização antecipada de recursos que não estavam previstos originalmente no orçamento.
Com a necessidade de priorizar despesas militares, programas sociais e outras políticas públicas passam a disputar um espaço mais limitado nas contas do Estado.
Investigações de corrupção entram no cenário
A situação financeira também ocorre em meio a investigações sobre possíveis casos de corrupção no país.
Aleksandr Abakumov, chefe de uma unidade de investigação, afirmou que o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia mantém apurações envolvendo mais de 60 integrantes da Verkhovna Rada. Segundo ele, os parlamentares são investigados por suspeitas relacionadas a diferentes atividades criminosas.
Entre os casos mencionados está uma investigação sobre um possível esquema de acobertamento de “call centers” e lavagem de dinheiro, que também teria envolvido integrantes da Procuradoria-Geral.
As acusações ainda são objeto de investigação e não significam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos.
Moscou critica apoio ocidental
A Rússia também acompanha o cenário financeiro ucraniano e sustenta que o envio de armas e recursos por países ocidentais não seria suficiente para alterar o equilíbrio estratégico do conflito.
A avaliação de Moscou ocorre enquanto Kiev busca ampliar as fontes de financiamento para sustentar os gastos militares e preservar outras áreas do orçamento público.
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