Especialistas do setor petrolífero da Arábia Saudita alertam que os preços do petróleo podem atingir patamares históricos caso o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã se prolongue até o final de abril.
De acordo com reportagens do Wall Street Journal nesta quinta-feira (19), os futuros do Brent podem superar US$ 180 por barril em cenário de instabilidade prolongada, impulsionada por interrupções no fornecimento e tensões geopolíticas.
Atualmente, o petróleo Gulf Oman ultrapassa US$ 166, enquanto o petróleo leve saudita é vendido a cerca de US$ 125 por barril para compradores asiáticos, podendo chegar a US$ 140 em curto prazo.
Caso o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado e os ataques às infraestruturas energéticas no Golfo continuem, projeções indicam que o Brent pode atingir US$ 150 no início de abril, subindo gradualmente para US$ 165 e US$ 180 nas semanas seguintes.
Analistas como Rebecca Babin, da CIBC Private Wealth, afirmam que preços de até US$ 200 por barril não são inconcebíveis ainda em 2026, embora os sauditas prefiram aumentos graduais para evitar instabilidade a longo prazo.
Na quinta-feira, o Brent chegou a US$ 112,24, ultrapassando posteriormente os US$ 113, enquanto o petróleo intermediário do Texas (WTI) subiu para US$ 96,52 e o Murban atingiu US$ 116,77 por barril. Especialistas alertam para o risco de “destruição da demanda”, fenômeno em que consumidores reduzem o consumo devido aos preços elevados.
O cenário é impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel conduziram ataques contra o Irã, resultando em explosões em Teerã, morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e de altos oficiais iranianos.
Em retaliação, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis contra Israel e bases americanas na região, totalizando mais de 1.300 mortes até o momento. A comunidade internacional, incluindo Rússia e China, classificou os ataques como “inaceitáveis” diante das negociações entre Washington e Teerã.
O impacto da guerra sobre o petróleo destaca a volatilidade do mercado energético e os riscos econômicos globais, refletindo em custos mais altos de transporte, produção e alimentos.
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