O aumento dos preços dos alimentos voltou a pesar no bolso dos brasileiros. Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a cesta básica ficou mais cara em 26 capitais no mês de maio, elevando também a estimativa do salário mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
Segundo o estudo, o rendimento ideal deveria ser de R$ 7.999,44, o equivalente a 4,93 vezes o salário mínimo atualmente em vigor.
O cálculo leva em consideração o custo da cesta básica mais cara do país e segue os parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal, que determina que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.
Os dados integram a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha mensalmente a variação dos preços dos alimentos essenciais nas capitais brasileiras.
Na comparação entre abril e maio, apenas uma capital apresentou estabilidade ou queda, enquanto as demais registraram aumento nos preços.
As maiores altas ocorreram em Recife, onde a cesta básica avançou 8,05%, seguida por Florianópolis, com alta de 7,81%, Fortaleza, com 7,48%, e Porto Alegre, que registrou elevação de 7,24%.
São Paulo permaneceu como a capital com a cesta básica mais cara do país. Em maio, o conjunto de alimentos essenciais custou R$ 952,20. Na sequência aparecem Cuiabá, com R$ 925,49, Rio de Janeiro, onde o valor chegou a R$ 914,48, e Florianópolis, com R$ 913,43.
A pesquisa também mostra que, na comparação dos últimos 12 meses, entre maio de 2025 e maio de 2026, praticamente todas as capitais registraram aumento no custo da cesta básica. A única exceção foi São Luís, que apresentou redução de 2,52% no período analisado.
O levantamento reforça o impacto da inflação dos alimentos sobre o poder de compra das famílias e evidencia a diferença entre o salário mínimo oficial e o valor considerado suficiente para garantir as despesas essenciais previstas na Constituição.
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