O custo da cesta básica registrou aumento nas 27 capitais brasileiras, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A alta generalizada acende um alerta sobre o impacto no orçamento das famílias, especialmente entre os trabalhadores de baixa renda.
Entre as capitais, São Paulo segue com o maior valor médio da cesta, chegando a R$ 883,94. Na outra ponta, Aracaju apresenta o menor custo, com média de R$ 598,45. Ainda assim, os valores seguem elevados em todo o país.
Os produtos que mais pressionaram os preços foram itens essenciais do dia a dia, como feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. As condições climáticas, principalmente o excesso de chuvas nas regiões produtoras, tiveram impacto direto na produção e na oferta desses alimentos.
Por outro lado, o açúcar apresentou queda de preço em parte das capitais, impulsionado pelo aumento da oferta no mercado.
O levantamento também identificou aumentos mais expressivos em cidades como Manaus, Salvador, Recife, Maceió e Belo Horizonte, com altas superiores a 6% no período analisado.
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, o trabalhador brasileiro precisa dedicar, em média, até 109 horas de trabalho para adquirir os itens básicos da alimentação. Em termos proporcionais, isso representa cerca de 48% da renda líquida mensal comprometida apenas com a cesta básica.
Apesar de ainda elevado, esse percentual é ligeiramente menor do que o registrado no ano passado, quando o comprometimento médio da renda ultrapassava 52%.
Além disso, o tempo médio necessário para comprar os produtos aumentou na comparação mensal, passando de cerca de 93 horas para quase 98 horas de trabalho.
O estudo também aponta variações no comparativo anual, com aumento do custo da cesta em diversas capitais, como Aracaju, Salvador e Recife. Por outro lado, cidades como Brasília e Florianópolis registraram redução nos preços.
Entre os alimentos, o feijão teve alta em todas as capitais. A elevação está relacionada à menor oferta, dificuldades na colheita e redução da área plantada. Problemas climáticos, especialmente em estados como Paraná e Bahia, afetaram diretamente a produção.
Especialistas explicam que, apesar do aumento de preços, isso não significa necessariamente maior lucro para os produtores. Em muitos casos, a produção foi reduzida, o que elevou os preços no mercado.
Outro fator que influencia o cenário é a expectativa de mudança no comportamento dos preços ao longo do ano. Há previsão de que o feijão preto, atualmente mais barato, possa se tornar mais caro do que o feijão carioca nos próximos meses.
Além disso, o estudo destaca que o salário mínimo ideal para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99, o equivalente a mais de quatro vezes o valor atual.
O cenário reforça o desafio econômico enfrentado pelas famílias brasileiras e evidencia a pressão crescente dos alimentos no custo de vida.
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