A greve nacional dos caminhoneiros começou nesta quarta-feira (19), em um cenário de forte pressão sobre os custos do transporte rodoviário. A mobilização foi impulsionada pela escalada no preço do diesel nas últimas semanas e pelo impasse entre o governo federal e os estados em relação à redução do ICMS sobre combustíveis. Organizada por entidades representativas da categoria, a paralisação já acende um alerta para possíveis impactos no abastecimento e na inflação.
O aumento do diesel tem como principal fator a valorização do petróleo no mercado internacional, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em poucas semanas, o barril do tipo Brent saiu da faixa de US$ 70 e se aproximou dos US$ 100, pressionando diretamente os preços no Brasil. Nesse contexto, o reajuste promovido pela Petrobras elevou ainda mais o custo para os caminhoneiros, que afirmam que as medidas anunciadas pelo governo — como a redução de tributos e subsídios — foram insuficientes para conter a alta e acabaram neutralizadas pelos aumentos recentes.
A categoria também cobra o cumprimento da tabela do frete mínimo, prevista em lei desde 2018, e denuncia falhas na fiscalização, que permitem a prática de valores abaixo do estipulado. A paralisação foi definida após reuniões entre lideranças de diferentes estados, com a orientação de suspensão das atividades sem bloqueio de rodovias, estratégia adotada para pressionar sem provocar confrontos diretos.
No campo político, o governo tenta avançar em negociações para reduzir o impacto do combustível, incluindo propostas de revisão do ICMS. No entanto, enfrenta resistência dos estados, que alegam perdas significativas de arrecadação e questionam a efetividade de reduções anteriores no imposto. O impasse prolonga a crise e dificulta uma resposta rápida à demanda da categoria.
Com cerca de 1,5 milhão de trabalhadores no setor, o transporte rodoviário segue como eixo central da logística brasileira, o que torna o país especialmente vulnerável a paralisações dessa natureza. Especialistas alertam que, caso o movimento se prolongue, pode haver desabastecimento e aumento no preço de produtos essenciais, como alimentos e combustíveis. O cenário reacende a memória da greve de 2018, quando a interrupção das atividades provocou efeitos significativos em toda a economia.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











