Enquanto os assaltos tradicionais exigiam planejamento físico, o cibercrime do século 21 atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (21). A exchange Bybit, uma das maiores do mundo, foi alvo de um roubo histórico de US$ 1,5 bilhão em Ethereum (ETH) após um hacker invadir uma de suas carteiras frias (offline).
O episódio, classificado por especialistas como “o maior incidente de todos os tempos, não apenas no universo cripto”, superou até os famosos ataques à Mt. Gox (2011) e à Ronin Network (2022).
Como o hacker agiu?
De acordo com o CEO da Bybit, Ben Zhou, o criminoso conseguiu manipular a assinatura digital de um contrato inteligente vinculado a uma carteira fria da empresa. Em postagem no X (antigo Twitter), Zhou explicou que o invasor alterou a lógica do contrato e transferiu todo o ETH armazenado para um endereço desconhecido.
“O hacker assumiu o controle específico dessa carteira fria de ETH”, afirmou, ressaltando que outras carteiras permanecem seguras.
Rob Behnke, cofundador da Halborn (empresa de segurança blockchain), destacou à Bloomberg a magnitude do crime: “É provavelmente o maior roubo de qualquer categoria na história moderna”.
O valor desviado equivale a 9% dos ativos totais da Bybit, que somavam US$ 16,2 bilhões antes do ataque.
Impactos no mercado e comparação com casos históricos
O episódio abalou o mercado: o preço do Ether caiu 6,7% após a notícia, enquanto o Bitcoin recuou 3%. O prejuízo da Bybit supera em mais do que o dobro os US$ 620 milhões hackeados da Ronin Network em 2022 610 milhões da Poly Network em 2021.
A comparação com o histórico roubo da Mt. Gox (850 mil Bitcoins em 2011) traz um paradoxo: na época, as perdas foram de US$ 450 milhões, mas hoje equivaleriam 81 bilhões. Ainda assim, em valores nominais, o ataque à Bybit é o maior já registrado em um único evento.
Bybit pede ajuda e garante normalidade
Em meio à crise, a exchange adotou um tom ambivalente. Zhou tranquilizou usuários em transmissão ao vivo: “Seu dinheiro está seguro, e os saques seguem normais”.
A conta oficial da Bybit no X, porém, fez um apelo público: “Convidamos equipes especializadas em análise forense de blockchain para colaborar no rastreamento dos fundos”.
O CEO afirmou ainda que a empresa já garantiu 80% dos recursos necessários para cobrir as perdas por meio de empréstimos-ponte com parceiros. Apesar do tom otimista, a mensagem em caixa alta — “Todas as retiradas são NORMAIS” — gerou desconfiança entre investidores.
O que esperar agora?
O caso expõe vulnerabilidades críticas em sistemas considerados à prova de hackers, como carteiras frias. Enquanto a Bybit tenta recuperar parte dos fundos, o mercado acompanha os desdobramentos: a credibilidade da exchange, sediada em Dubai, e a estabilidade do Ethereum estão sob pressão.
Para usuários, o recado é claro: mesmo plataformas gigantes não estão imunes a falhas humanas ou tecnológicas. A era dos roubos digitais bilionários só está começando.
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