O Brasil pode atingir ainda em setembro o limite de exportação de carne bovina permitido pela China em 2026, segundo projeções de pesquisadores do setor. Caso a cota seja ultrapassada, os embarques passam a sofrer uma tarifa de 55%, quase cinco vezes maior que a alíquota padrão de 12%.
A medida foi adotada por Pequim no fim de 2025 como política de salvaguarda para proteger sua indústria doméstica. O novo regime limita a importação total de carne bovina a cerca de 2,7 milhões de toneladas anuais entre os países fornecedores, incluindo Brasil, Austrália, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Maior exportador para o mercado chinês, o Brasil recebeu uma cota de 1,106 milhão de toneladas — bem inferior ao volume recorde de 1,648 milhão de toneladas enviado em 2025. Somente em janeiro deste ano, o país já embarcou quase 120 mil toneladas, o maior volume histórico para o mês.
Mantido esse ritmo, estudos indicam que a cota será esgotada antes do último trimestre. Entidades do setor estimam que a restrição pode gerar perda de até US$ 3 bilhões em receitas de exportação ao longo do ano.
Para evitar uma corrida de vendas e queda abrupta nos preços internos, o governo avalia criar um sistema nacional de gestão de cotas, distribuindo os embarques ao longo do ano. A China é hoje o principal destino da carne bovina brasileira e respondeu por cerca de US$ 650 milhões em compras apenas em janeiro.
Enquanto isso, a indústria australiana também enfrenta limites menores de exportação, mas prevê impacto mais gradual. Representantes do setor avaliam que a demanda global continuará forte e que o mercado deve passar por um ajuste moderado.
Segundo o governo chinês, a política não tem caráter punitivo, mas busca equilibrar os preços internos após aumento das importações. As restrições devem permanecer até 2028, com pequenas ampliações anuais das cotas.
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