A corrida internacional pelas terras raras pode abrir uma oportunidade importante para o Brasil. Durante a Exposibram, nesta segunda-feira (24), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que os Estados Unidos precisam considerar uma parceria com o país para ampliar o acesso a esses minerais estratégicos.
Na avaliação do ministro, os custos de exploração e processamento em território brasileiro, somados a uma logística considerada mais favorável, podem tornar o Brasil uma alternativa interessante para os norte-americanos.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, Silveira argumentou que a distância e os gastos envolvidos na cadeia de produção tornam os minerais brasileiros competitivos para os Estados Unidos.
China ainda domina o mercado
A disputa por terras raras ganhou importância nos últimos anos devido ao uso desses minerais em setores considerados estratégicos, como eletrificação, tecnologia e indústria de defesa.
A China mantém uma posição de liderança nesse mercado. Para Silveira, o país asiático pode ter menos interesse em participar de determinadas etapas da cadeia brasileira, especialmente na separação e no processamento dos minerais.
Isso ocorre porque a China já possui grandes reservas, produção em larga escala e domínio tecnológico dessas etapas.
Dados de 2024 mostram o tamanho dessa vantagem. Naquele ano, a China respondeu por cerca de 69% da produção mundial de terras raras, enquanto os Estados Unidos representaram aproximadamente 12%.
A diferença fica ainda maior quando o processamento é considerado. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a China concentra cerca de 91% da separação e do refino das terras raras utilizadas na produção de ímãs e aproximadamente 94% da fabricação de ímãs permanentes.
Estados Unidos tentam diminuir dependência chinesa
Alexandre Silveira também relatou uma conversa que teve com integrantes do governo de Donald Trump durante uma reunião com a delegação brasileira liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio.
De acordo com o ministro, autoridades norte-americanas reconheceram que os Estados Unidos ficaram atrás da China em áreas como eletrificação, separação de minerais e indústria de defesa.
“Passei uma hora com o presidente Trump e sua equipe, o vice-presidente e alguns ministros, e ouvi que eles perderam a corrida para a China na eletrificação, na separação de minerais e na indústria de defesa”, afirmou Silveira, segundo o South China Morning Post.
A declaração ajuda a explicar o interesse norte-americano em ampliar e diversificar as fontes de fornecimento de minerais considerados críticos.
Brasil pode se tornar fornecedor estratégico
Com grandes reservas minerais e potencial de expansão da produção, o Brasil aparece nesse cenário como uma possível alternativa para países que querem reduzir a dependência da cadeia chinesa.
A estratégia, no entanto, não envolve apenas a extração das terras raras. As etapas de separação, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado são fundamentais para que o país consiga ocupar uma posição mais relevante no mercado internacional.
Para o governo brasileiro, a possibilidade de atrair investimentos estrangeiros para essas etapas pode transformar as reservas nacionais em uma oportunidade econômica e ampliar a participação do país em uma cadeia considerada cada vez mais importante para a indústria mundial.
A disputa pelas terras raras, portanto, coloca o Brasil diante de uma oportunidade de fortalecer sua posição no mercado de minerais críticos e, ao mesmo tempo, ampliar as relações comerciais com países interessados em diminuir a dependência da produção chinesa.
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