A produção de petróleo no Brasil deverá crescer pouco mais de 80% até 2030, saltando dos atuais 2,9 milhões de barris por dia (b/d) em 2021, para 5,2 milhões de b/d em 2029, volume que deverá ser mantido até 2031. O pré-sal continuará sendo o grande propulsor do aumento de produção.
As projeções estão no Plano Decenal de Energia 2031 (PDE 2031), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e seguem os parâmetros do crescimento da produção doméstico de petróleo e gás na ordem de 50% na última década e 150% em 20 anos, números que propiciaram ao Brasil sair da condição de exportador líquido de petróleo e derivados a partir de 2016, com saldo comercial superavitário de US$ 19 bilhões em 2021.
O estudo é tema de um artigo assinado pelo pesquisador da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e doutor em economia, Luiz Guilherme Schymura, na Carta do Ibre.
O levantamento cita projeções sobre uma cotação internacional do barril variando entre US$ 70 dólares no médio prazo.
“Com esses preços estabilizados, o Brasil deve evitar perdas financeiras tirando a diferença com o aumento na produção. Regionalizando essas projeções para a Bacia de Campos, não se deve criar grandes expectativas para a camada do pós-sal, que deve continuar em declínio. O foco será a produção no pré-sal”, destaca o economista Ranulfo Vidigal.
Já as projeções para a produção do minério de ferro são de crescimento na ordem de 30% até 2030. O que se vislumbra para os próximos anos, já partir do governo Lula em 2023, é um crescimento na produção nacional de commodities. Isso aumentaria a arrecadação governamental no setor extrativo. O Brasil detém a terceira maior reserva de níquel do mundo, mineral com forte demanda na transição energética. Contudo, a produção no país ainda se dá em pequena escala.
O grande dilema no aumento de arrecadação é a disputa pelo orçamento. O mercado quer transformar o quinhão em superávit fiscal, para manter sobre o guarda-chuva do teto de gastos e abocanhar como juros da dívida, já o novo governo terá o desafio de destinar boa parte desta quantia para políticas públicas.
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