O governo brasileiro voltou a contestar nesta segunda-feira (6) as possíveis medidas tarifárias em análise pelos Estados Unidos contra produtos exportados pelo Brasil.
Em manifestação enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as conclusões da investigação comercial como equivocadas e sem base suficiente.
O documento apresentado pelo Itamaraty questiona principalmente a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas.
Segundo as autoridades norte-americanas, o Brasil estaria entre os países que não adotaram medidas consideradas adequadas para impedir a circulação de produtos associados a esse tipo de prática.
Além dessa cobrança, os Estados Unidos também analisam a possibilidade de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que determinadas políticas adotadas pelo Brasil poderiam prejudicar empresas e interesses comerciais norte-americanos.
Itamaraty critica conclusões da investigação
Na manifestação enviada ao USTR, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos não levaram em consideração informações apresentadas pelo Brasil sobre sua legislação, mecanismos de fiscalização e ações de combate ao trabalho análogo à escravidão.
Segundo o Itamaraty, as conclusões divulgadas durante a investigação não refletem as evidências apresentadas pelo país e não possuem sustentação adequada nos dados analisados pelo órgão norte-americano.
O governo brasileiro também criticou a adoção de medidas comerciais unilaterais e defendeu que eventuais divergências entre os dois países sejam solucionadas dentro das normas do sistema internacional de comércio, especialmente por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Brasil destaca relação comercial com os EUA
Outro argumento apresentado pelo governo brasileiro foi o histórico da relação comercial entre os dois países. De acordo com o Itamaraty, os Estados Unidos mantêm superávit no comércio bilateral com o Brasil desde 2007.
O dado foi utilizado pelo governo para questionar a justificativa econômica das possíveis novas barreiras comerciais e reforçar que a relação entre os países possui forte integração em diferentes setores.
Ao final do documento, o Brasil solicitou que o USTR reavalie as conclusões da investigação, retire as acusações apresentadas contra o país e descarte a aplicação das tarifas adicionais previstas sobre produtos brasileiros.
As discussões sobre as medidas comerciais seguem em andamento nos Estados Unidos, enquanto representantes dos dois governos continuam buscando alternativas por meio de negociações diplomáticas.
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