Milhões de brasileiros ainda aguardam a devolução de recursos que permaneceram nas contas de plataformas de apostas após o encerramento das operações no país.
O saldo pendente chega a aproximadamente R$ 1,325 bilhão e pertence a cerca de 26,5 milhões de apostadores.
As empresas têm até esta quarta-feira (7) para encaminhar às instituições financeiras as informações necessárias para que o dinheiro seja restituído aos titulares.
Bancos começam devoluções na sexta-feira
A próxima etapa do processo começa na sexta-feira (9).
Entre os dias 9 e 14 de outubro, os bancos responsáveis pelas contas utilizadas nas plataformas deverão transferir os valores aos apostadores.
As empresas precisam informar o saldo correspondente a cada CPF e a conta bancária utilizada originalmente para os depósitos.
Nos casos em que alguma dificuldade operacional impeça a restituição diretamente pela instituição financeira, os recursos serão encaminhados à Caixa Econômica Federal.
A partir de 14 de outubro, a Caixa ficará responsável por intermediar esses pagamentos.
Maior parte do dinheiro está concentrada em poucos usuários
Embora milhões de pessoas tenham algum valor a receber, a distribuição do dinheiro é bastante desigual.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cerca de 1% dos apostadores concentra aproximadamente 80% de todo o saldo ainda pendente.
Esse grupo corresponde a aproximadamente 200 mil pessoas.
Quando considerados 3,4% dos usuários, a concentração chega a cerca de 90% do montante que precisa ser devolvido.
Sites e aplicativos deixaram de funcionar
As plataformas que estavam autorizadas a atuar no Brasil encerraram as operações depois da proibição das apostas de quota fixa no país.
O prazo para que os próprios usuários solicitassem voluntariamente o saque terminou às 23h59 de segunda-feira (5).
Desde terça-feira (6), os sites e aplicativos utilizados para apostas devem permanecer indisponíveis.
A devolução automática pelos bancos foi criada justamente para atender quem não conseguiu retirar o dinheiro antes do fechamento das plataformas.
Governo cita impacto na renda das famílias
O Ministério da Fazenda também relaciona o fim das apostas à redução do volume de recursos retirados da renda das famílias.
Segundo Durigan, estimativas anteriores indicavam que entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia eram direcionados para as plataformas.
Na avaliação do governo, a interrupção desse fluxo pode manter uma parcela maior da renda disponível para consumo, pagamento de dívidas, poupança e outras despesas domésticas.
Combate a sites ilegais continua
Mesmo após a retirada do ar das plataformas antes autorizadas, a fiscalização permanece concentrada nos endereços que tentam continuar oferecendo apostas ilegalmente.
Entre 25 de setembro e 6 de outubro, 13.241 sites foram encaminhados para bloqueio.
Também foram solicitadas remoções de milhares de páginas, perfis, canais e grupos utilizados para divulgação de apostas em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Somente em algumas dessas plataformas, os espaços identificados alcançavam cerca de 17,2 milhões de usuários, membros ou seguidores.
Devolução entra na fase final
Com o encerramento do prazo desta quarta-feira para comunicação dos saldos, o processo entra na etapa de pagamento.
A expectativa é que a maior parte dos recursos seja devolvida automaticamente entre sexta-feira e 14 de outubro.
Quem encontrar dificuldades após esse período deverá recorrer aos procedimentos previstos para restituição por intermédio da Caixa.
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