O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, voltou a se posicionar contra a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Em declaração feita nesta terça-feira (2), em Brasília, o também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços classificou a medida como inadequada e sem justificativa econômica, defendendo que o governo brasileiro atuará para evitar que a recomendação seja adotada oficialmente pela administração norte-americana.
A manifestação ocorre em meio ao aumento das divergências comerciais entre os dois países. A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia políticas brasileiras em setores considerados estratégicos para os interesses americanos.
Durante a coletiva, Alckmin também saiu em defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e amplamente utilizado pela população brasileira.
O vice-presidente afirmou que o mecanismo não representa qualquer prejuízo a empresas estrangeiras e destacou sua importância para a modernização do sistema financeiro nacional.
Segundo ele, o Pix se consolidou como uma ferramenta que facilita transações, reduz custos e amplia a inclusão financeira, beneficiando tanto consumidores quanto empresas de diferentes portes.
Alckmin ainda criticou setores que, em sua avaliação, estariam dificultando os esforços diplomáticos do Brasil durante as negociações com Washington.
Sem mencionar nomes, afirmou que interesses políticos não podem se sobrepor às necessidades econômicas do país, especialmente em um momento de discussão sobre comércio exterior e investimentos.
Outro tema abordado foi a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. O vice-presidente contestou argumentos de que o mercado americano estaria sendo prejudicado pelas políticas brasileiras e destacou que o fluxo de negócios entre os dois países tem apresentado resultados favoráveis aos norte-americanos.
De acordo com Alckmin, ao considerar bens e serviços, os Estados Unidos registraram superávit significativo na relação comercial com o Brasil.
Ele também ressaltou que diversos produtos americanos entram no mercado brasileiro com baixas tarifas ou até mesmo isenção tributária.
Por outro lado, o vice-presidente citou barreiras enfrentadas por exportadores brasileiros em setores específicos, como o sucroalcooleiro.
Segundo ele, o açúcar produzido no Brasil encontra restrições para acessar o mercado americano, incluindo tarifas elevadas aplicadas a volumes que ultrapassam cotas estabelecidas.
Na área ambiental, Alckmin rebateu críticas relacionadas ao desmatamento e afirmou que o Brasil vem registrando avanços relevantes na preservação de áreas florestais.
O vice-presidente destacou a redução dos índices de desmatamento na Amazônia e reafirmou a meta do governo de eliminar o desmatamento ilegal até o fim da década.
Apesar das divergências, o governo brasileiro pretende manter a estratégia de negociação e diálogo. Alckmin informou que representantes dos ministérios responsáveis pelas áreas econômica e diplomática continuarão buscando entendimentos com autoridades norte-americanas para evitar medidas que possam prejudicar empresas e trabalhadores dos dois países.
O vice-presidente também lembrou que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump já discutiram recentemente a relação bilateral e afirmou que o objetivo das conversas é construir uma solução equilibrada, capaz de preservar os interesses econômicos de Brasil e Estados Unidos.
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