Vinte anos após um dos maiores roubos de arte do país, o caso das obras furtadas do Museu da Chácara do Céu se aproxima oficialmente da prescrição sem que os responsáveis tenham sido identificados ou as peças recuperadas.
O crime ocorreu em 24 de fevereiro de 2006, Sexta-Feira de Carnaval, enquanto o Bloco das Carmelitas reunia milhares de foliões em Santa Teresa, no Rio de Janeiro.
Em meio à movimentação festiva, criminosos invadiram o museu, renderam funcionários e visitantes e fugiram com cinco obras assinadas por Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse.

À época, o conjunto era avaliado em mais de US$ 10 milhões. O episódio foi incluído entre os roubos de arte de maior repercussão internacional pelo Federal Bureau of Investigation (FBI).
Investigações e impasses
Ao longo dos anos, alguns nomes surgiram nas investigações, mas nenhum foi formalmente responsabilizado. O inquérito enfrentou dificuldades, incluindo falhas na preservação de provas e problemas na comunicação com portos e aeroportos. Em 2014, o processo chegou a ser dado como desaparecido, sendo localizado no ano seguinte.
O Ministério Público Federal informou que o procedimento foi arquivado provisoriamente por falta de autoria definida e permanece suspenso à espera de novos elementos.

Mudanças na segurança
Após o crime, o museu passou a adotar medidas mais rigorosas. Desde 2007, a instituição fecha durante o Carnaval e em dias de grandes blocos no bairro. O sistema de monitoramento foi modernizado, com câmeras digitais, controle de acesso e protocolos de segurança reforçados.
As obras desaparecidas
Entre as peças levadas estavam Marine, de Monet; Le Jardin du Luxembourg, de Matisse; La Danse, de Picasso; e Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons, de Dalí, além do livro de gravuras Toros, ilustrado por Picasso.

Fundado em 1972 na antiga residência do colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya e sob gestão do Ministério da Cultura desde 1983, o museu perdeu parte central de seu acervo. Especialistas ressaltam que o prejuízo vai além do valor financeiro, atingindo o patrimônio cultural e a memória artística do país.

Mesmo com a prescrição iminente, a direção mantém a expectativa de que as obras possam ser recuperadas.
Duas décadas depois, o caso segue como um dos maiores mistérios do cenário cultural brasileiro.
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